quarta-feira, 3 de abril de 2013

Sem lados


Guerra.
É assim que se ganha algo hoje em dia, guerreando.
Tenha um lado, seja extremista, aponte o outro lado com ofensas, injúrias, e guerreie.
Não lute por um mundo melhor. Lute por um mundo unilateral, absolutista, raso.
Somos ensinados a tomar um lado desde de muito cedo.
Quando se escolhe o lado que se quer ficar, pensa-se que o outro, ou os outros lados param de existir, ou existem de maneira suja, obscura, pecaminosa.
Não existem verdades absolutas.
Não existem inverdades absolutas.
Tudo depende da nossa disposição em aceitar, tolerar, lidar.
Não precisamos de lados, precisamos de equilíbrio.
Nem tudo é tão bom quanto parece ou tão mal quanto supomos.
Enquanto não sairmos dos extremos e passarmos a ocupar meios, brechas, rachaduras, as coisas tendem a continuar como estão, ou piores.
Vale à pena viver num mundo onde os iguais se fazem diferentes, e se odeiam?
Basta para nós estarmos na posição de odiadores do oposto?
Quanto tempo ainda perderemos na busca da vitória de um lado só?
Quantos soldados mais perderemos?
O quanto de nós sacrificaremos?
Entender o outro lado talvez seja a diferença.
Fazer o certo ao invés do conveniente.
Pensar no todo e não num só.
Errar, acertar, unir, perdoar.
Tornar leve o que parece impossível.
Ter esperança mesmo quando tudo parece ruir.
Ser firme no único propósito que vale realmente à pena.
O propósito do amor.
Afinal, se o grande mundo é composto de pequenos mundos, mudar tudo nem é tão complicado assim.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Não sou...


Eu não sou o mesmo de dez anos atrás.
Entenda isso.
Os meus acertos sim, são méritos meus.
Os erros, bom, os erros são de alguém que certamente nem existe mais.
Depois de cada um deles eu fui obrigado a me refazer.
Levantei, e decidi ir adiante.
Ando sonhando tanto.
Sonho com dias diferentes, com cores diferentes.
Sonhar é necessário pra mim.
Eu não espero o concreto, sempre me encantei mais com o abstrato.
Não quero o tangível.
Por isso me apego tanto a sonhos, a realidades que eu mesmo posso inventar, a reinos onde vou de rei a plebeu.
Eu não sou o mesmo de dez anos atrás.
Naquela época eu acreditava que deveria fazer tudo em nome da felicidade.
Hoje penso em fazer tudo em nome da paz.
Tranquilidade salta muito mais aos meus olhos, nos tempos de hoje.
Quero ser sempre o que não fui.
Quero ter o que é diferente.
Me contento com os poucos amigos que tenho.
Sei que posso contar comigo, e com os meus reinos.
Lá onde puramente piso por entre as nuvens.
Onde canto canções que nem sei.
Onde criei um mundo que nem saberia que pudesse existir.
Os meus lugares só são possíveis porque eu mudei.
Porque eu não sou o mesmo de dez anos atrás.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Inquietude


Por mais que tentemos pensar o contrário, estamos sozinhos.
O intenso se passa dentro de nós e não com quem está conosco.
Pode sim haver solidariedade, atenção, compaixão. Mas não é possível dividir a dor.
O peito que dói ao respirar é seu.
Você olha ao lado, e seus olhos, seus gestos, eles pedem socorro, mas ninguém quem ouve, ou vê, e nada faz.
Penso que tal qual a informação, os sentimentos estão cada vez mais narcotizados.
Eu te amo tornou-se palavra barata, na boca de qualquer vulgar.
Temos a sensação de estarmos fazendo a diferença na vida de quem amamos, mas não estamos fazendo nada.
Se bem que fazer a diferença acaba sendo também uma questão de ponto de vista, você pode sim fazer a diferença, mas para o pior.
Não estou discursando do alto do meu pessimismo, na verdade eu nem me considero pessimista.
Discurso de dentro de mim, lugar cada vez mais inabitado, endurecido e cheio de cicatrizes.
Não quero frases de Clarice Lispector, frases que, pobre Clarice, jamais escreveu.
Quero o que quero. Que nem sei o que é. Mas que tenho direito.
Escrevo não por insatisfação, escrevo por inquietude.
Conhece almas inquietas?
Sabem o que elas buscam, do que elas precisam?
Única e exclusivamente de verdade.
Verdade, elemento raro, em extinção.
É a verdade do sentimento que leva ao gesto.
Não basta um coração cheio de boas intenções.
Precisa braços fortes cheios, de vontade.
Pernas fortes, cheias de disposição.
E consciência?
Quisera as pessoas ter uma consciência tranquila.
Tranquila a ponto de saber que deram de volta tudo o que receberam.
Mas gratidão não se ensina na escola, ensina-se sim, na vida, e para isso, precisa-se de observação, e observar é característica de gente inteligente, disposta, atenta.
Pessoas assim. Muito poucas.
Sigamos. Na tentativa de sobreviver num lugar onde a esperança é um fio.
Mas se ainda há um fio, lutemos por ele.




quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Vivendo em paz...


Eu não acerto sempre. Claro.
Mas eu me esforço muito para acertar o máximo de vezes que eu puder.
O que importa para mim não é ser visto, e sim, ser sentido.
Prefiro que as pessoas se lembrem não do que me viram fazer, mas do que sentiram à partir das minhas ações.
Cresci sendo ensinado que ser bom é fundamental.
Cresci aprendendo que ser bom aluno é bonito.
Cresci moldado por valores que me diziam que boa educação, gentileza, e sorrisos, nunca foram demais.
Aí de repente tudo dá errado, o mundo desmorona sobre você e já não é mais tão simples manter-se equilibrado e otimista.
Simples. Fácil. Gratuito. Essa foi outra lição. Aprender que essas palavras não são tão constantes assim na vida de quem arregaça as mangas e luta.
Hoje, convivo com dores, perdas, frustrações sem pensar que o mundo acabará por isso.
Por mais que sejam dias tempestuosos, eu sei que vou passar por eles.
O que mudou em mim?
Nada.
Eu apenas me conheço.
E o fato de priorizar o bem ao outro me dá uma grande certeza.
A de que não estou sozinho.
E não estar sozinho é a grande recompensa, e sem dúvida, a melhor sensação.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Deixa partir


Sim, não vai voltar.
Por mais que as mãos se juntem, os pensamentos alcancem, não vai voltar.
Embora haja o desejo intenso de fazer melhor, de reparar, foi-se, e para sempre.
É difícil pensar em como continuar.
Como sobreviver agora?
Como voltar a andar?
Para onde ir?
O mais interessante é que de uma forma ou de outra, essa é uma certeza:
Chegará um dia em que simplesmente não estaremos mais juntos.
Em que alguém terá ido, partido.
Se eu pudesse fazer algo quanto a isso.
Se eu tivesse tido tempo de consertar.
Se eu tivesse tido coragem de dizer.
Talvez esse choro doeria menos, talvez essa dor teria outro significado.
As pessoas vão.
Para outro lugar, para outra dimensão, mas vão.
O que importa é a honestidade em lidar.
É o amor conjugado.
A presença reconhecida.
O que vale a pena, penso eu, é provocar admiração.
Ter atitudes tão impactantes que te admirem, e ver isso nos olhos.
Uma das maiores experiências é reconhecer no olhar do outro, o amor pelo que você é, pelo que você representa.
Deixa partir.
Deixa viver.
Deixa experimentar.
Porque um dia será assim, estaremos sós.
E quando o for, que seja o fim de uma linda história.
Que poderia ter sido um conto, um filme, um livro.
Mas não foi.
Foi real.
Foi vida.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Um leão por dia


É tolice pensar que vai dar tudo certo sempre.
Haverá momentos em que avalanches nos levam para baixo, em que a meta não é atingida, em que a gratidão não chega, em que todas as coisas ao redor parecem desmoronar.
Mas são nesses momentos, é aí, que mostramos o porque estamos lutando.
Aprende-se muito mais com derrotas, quando se quer aprender, certamente.
Lutar não é, nem nunca foi garantia de vitória.
Por isso pense.
Tenha um plano.
Observe e re-observe.
Nunca desanime diante de um tombo, ou de um fracasso ou de uma fraqueza.
Ainda há tanta vida para acontecer.
Ainda existem tantas oportunidades chegando.
Tenha consigo:
Não é o fato de ter tido um pesadelo que me impedirá de ter um sonho na noite seguinte.
Não é a decepção que me fará desistir.
Sempre siga em frente.
Levando com você o que aprendeu, o que viu.
É quando se está fraco que se encontra as maiores forças.
É quando se está sozinho que se percebe quem realmente se importa.
E a vida continua...
Um leão por dia, ou quantos forem preciso.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Foi assim...

A vida tem contrários...
Vive-se bem quando se aprende que não se muda o externo antes de se mudar o interno.
Vive-se bem quando se acredita na magia das coisas.
Tudo se transforma, tudo tem uma razão de existir.
E nós, bem, nós somos os personagens, os errantes num mundo não tão certo.
Prefira andar entre os que sonham.
Busque estar rodeado dos que gostam de poemas, palavras e sentimentos.
Os melhores amigos são os que apreciam música.
Os melhores momentos são os trilhados por uma canção.
Goste de quem conta piadas, de quem seja leve, risonho.
Apaixone-se mais por gestos do que por palavras.
Tente se importar mais com o que é eterno.
Exercite o dom de eternizar.
Eternize momentos, frases, fotografias.
Guarde tudo em lugares fáceis de encontrar.
Dê o seu melhor sempre, mas guarde coisas só para você.
Não tenha medo de conhecer pessoas.
Não se engane pensando que é possível conhecer alguém rapidamente.
Confie no outro.
Aproxime-se de quem não tem medo de errar.
Respeite o relógio, e as pessoas.
Crie realidades onde você pode ser o que sempre quis.
Seja o que você sempre quis.
Que pelas tuas atitudes, te vejam.
Que pelos teu sorriso, te percebam.
Que pela tua grandeza, sintam falta de ti.
 
Disse-me isso, e num piscar de olhos tinha ido, como num sonho.
Mal sabia que com isso, havia mudado a minha vida. Para sempre.