Por
mais que tentemos pensar o contrário, estamos sozinhos.
O
intenso se passa dentro de nós e não com quem está conosco.
Pode
sim haver solidariedade, atenção, compaixão. Mas não é possível dividir a dor.
O
peito que dói ao respirar é seu.
Você
olha ao lado, e seus olhos, seus gestos, eles pedem socorro, mas ninguém quem
ouve, ou vê, e nada faz.
Penso
que tal qual a informação, os sentimentos estão cada vez mais narcotizados.
Eu
te amo tornou-se palavra barata, na boca de qualquer vulgar.
Temos
a sensação de estarmos fazendo a diferença na vida de quem amamos, mas não estamos
fazendo nada.
Se
bem que fazer a diferença acaba sendo também uma questão de ponto de vista, você
pode sim fazer a diferença, mas para o pior.
Não
estou discursando do alto do meu pessimismo, na verdade eu nem me considero
pessimista.
Discurso
de dentro de mim, lugar cada vez mais inabitado, endurecido e cheio de
cicatrizes.
Não
quero frases de Clarice Lispector, frases que, pobre Clarice, jamais escreveu.
Quero
o que quero. Que nem sei o que é. Mas que tenho direito.
Escrevo
não por insatisfação, escrevo por inquietude.
Conhece
almas inquietas?
Sabem
o que elas buscam, do que elas precisam?
Única
e exclusivamente de verdade.
Verdade,
elemento raro, em extinção.
É
a verdade do sentimento que leva ao gesto.
Não
basta um coração cheio de boas intenções.
Precisa
braços fortes cheios, de vontade.
Pernas
fortes, cheias de disposição.
E
consciência?
Quisera
as pessoas ter uma consciência tranquila.
Tranquila
a ponto de saber que deram de volta tudo o que receberam.
Mas
gratidão não se ensina na escola, ensina-se sim, na vida, e para isso,
precisa-se de observação, e observar é característica de gente inteligente,
disposta, atenta.
Pessoas
assim. Muito poucas.
Sigamos.
Na tentativa de sobreviver num lugar onde a esperança é um fio.
Mas
se ainda há um fio, lutemos por ele.
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