domingo, 30 de agosto de 2020

Ser melhor


 Guimarães Rosa disse que viver é um rasgar-se e remendar-se. Mas e quando a gente é mais rasgado do que remendado? Bom, nesse momento a gente silencia, distancia e passa pelo processo da cura, ou do reequilíbrio, a gente faz o que é necessário para continuar vivo.

Tem sido assim.
Tem sido difícil.
Nunca fomos tão rasgados. Nós. Todos nós. 
Historicamente estamos vivendo o que pouco fora vivido até então.
Estamos vivendo a dor de nos despedirmos massivamente de pessoas, pessoas como eu e como você, gente com história, com amores, com amigos e família. Gente.
Tem sido complicado assimilar, entender.
Tudo está exposto, principalmente a nossa vulnerabilidade.
A gente entendeu, como sociedade, ou pelo menos deveria ter entendido, que as nossas mazelas estão afloradas.
Houve quem mentiu.
Houve quem manipulou.
Houve quem desviou, roubou, superfaturou.
Houve quem sucumbiu.
Houve quem perdeu pouco, quem perdeu algo, quem perdeu alguém, quem perdeu tudo.
Houve quem tentou não se abater, e não conseguiu.
Houve falta de empatia, de respeito, de humanidade.
A gente tem aprendido de uma maneira muito crônica, que numa parcela muito significativa, talvez aquela parcela que poderia tomar decisões que melhoraria a vida da grande população, mora apenas o egoísmo e a sede pelo poder.
A gente também está vendo solidariedade.
A gente está vendo que de forma única, alguns sistemas são fundamentais, principalmente para a saúde da nossa gente.
A gente vê uma doença que não faz distinção, mas percebe também que pobre e o preto morre mais.
A gente se dá conta que ciência, nunca é demais.
Que a fé sem obras não vale nada, e que se a obra da fé é a mentira e a morte, não há flor que resista. Nem família. 
Fomos colocados sem roupa, em frente a nossas fragilidades.
O que fizemos? O que estamos fazendo?
Tem muita gente aprendendo com o que está acontecendo, muita.
Tem gente que não.
Meu amor e gratidão a quem entendeu.
 Independentemente da posição que você ocupa no enfrentamento do que faz sofrer, seja o que faz você sofrer, seja o que faz o mundo sofrer, tenha esperança de dias melhores e nunca se esqueça de olhar para o que acontece e aprender com isso, se desenvolver à partir disso, e ser melhor porque decidiu ser melhor e porque o mundo precisa de gente melhor.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Equilibrar

Extremo.
É assim que estão nos mostrando como devemos nos posicionar: ou de um lado ou de outro.
A cultura do extremismo, vezes explicita, vezes velada, tem um grande e negativo efeito: ele promove a fragilidade ou inexistência do debate, e com isso a intolerância e todos os frutos ruins vindos dela.
Ou você é de direita ou de esquerda. E quando você assume um dos lados obrigatoriamente se fecha, deixa de dialogar e passa a odiar tudo e todos relacionados ao outro lado.
Ou você ama o cantor sensação, ou você odeia.
Ou você é à favor do programa de TV da temporada ou é odiosamente contra.
Ou desse lado ou daquele!
Você precisa ser contra isso!
Você precisa odiar aquele grupo!
Não dialogue! Não compensa!
Eles não prestam, eles são burros, eles são imorais!
E vivendo nas extremidades da vida a gente esquece que primordial mesmo é o respeito.
Que uma pessoa pode até ser de esquerda, mas só há uma esquerda porque há uma direita. E o respeito alicerça um dialogo saudável entre ambos.
Você pode até não gostar do cantor sensação, mas há quem goste. Fazer o quê? Respeitar!
Desconstruir o extremismo em busca de um equilíbrio.
O equilíbrio está no meio, na integração das partes, e não num oposto ou outro.
Tenha as suas convicções, defenda-as, porém lembre-se sempre que a sua verdade não pode ser imposta a ninguém. Que respeitar, dialogar, testemunhar, causa muito mais impacto do que tentar se sobrepor de maneira violenta e superficial sobre as ideias do outro.
Ganha muito mais quem busca o equilíbrio.
Ganha a gente, quem convive com a gente, ganha o mundo!

Pense nisso!

domingo, 29 de outubro de 2017

Dos clichês da vida..

Dentre as coisas que a vida vai ensinando para gente, há lições que não são tão boas de se aprender.
Há lições que nascem do amadurecimento, e amadurecer não é tão simples. Amadurecer dói, machuca, e não acontece de uma hora para outra, acontece num processo longo, silencioso, que só se justifica no final.
Comigo não tem sido diferente.
Eu amo gente. Pessoas. Gosto de conviver com elas, de observá-las, de aprender com elas.
Acontece que estamos sempre impactando a vida uns dos outros, e os impactos mais marcantes estão na reação da nossa não ação. Como assim, não é só a ação que provoca uma reação? Em relações interpessoais não. A não reação gera um impacto tremendo, absurdo, dolorido.
Passar por fases difíceis todo mundo passa. Umas provocadas pela gente mesmo, outras que fogem ao nosso controle. Nesses momentos, o que a gente precisa é saber lembrar daquele pensamento que diz que "tudo na vida é temporário" ou daquele versículo que diz "que o choro vem a noite, mas a alegria ao amanhecer", ambos os pensamentos, o oriental e o cristão mostram a efemeridade dos acontecimentos, o que me é concreto hoje, amanhã não é mais.
Mas como a gente se vira até o amanhã chegar? É aí que está! É nesse momento que se entra no tal processo de amadurecimento. 
Ao contrário da maioria das pessoas eu não tenho lições inspiradoras e cheias de otimismo sobre as minhas adversidades.
Eu prefiro falar do fel. 
E o meu fel é a indiferença.
Como pode, num mundo de ajudas, ter de se passar pela escuridão sozinho?
Shakespeare escreveu: "E você descobre que não importa o quanto você se importa, algumas pessoas simplesmente não se importam." E não é nem em referência a - não se importam -  porque vieram com esse defeito, elas se importam, mas se importam só consigo mesmas.
Das coisas que aprendi por esses meses:
Se alguém te entrega uma tempestade interior, é porque ela confia em você, não trate esse drama como algo banal. Minhas jóias precisam de cofres de aço e não de gelo.
Quem quer ajudar não diz: "Qualquer coisa me liga!". 
Uma mensagem de WhatsApp não substitui contato pessoal.
Nunca discorra sobre os seus atos heroicos para ajudar seus amigos para um amigo que você sabe, está passando por um momento diferente, mas ruim também. É cruel.
Dizer: "Vou rezar por você" é lindo, romântico e um real presente vindo de pessoas não tão próximas, agora aqueles que convivem com você, que se atrevem a ser amigos, que tem relações mais estreitas, o tal "vou rezar por você" tem um efeito mais benéfico para o emissor do que para o receptor, e não estou desprezando o ato da oração não, longe de mim pensar isso, mas é tão narcotizante dizer para o outro que está rezando por ele ou por algo, narcotizante porque quem o diz se sente fazendo algo de fato. Sim, todos precisamos de oração, não há nada mais lindo do que fazer uma prece por alguém, do que encher o coração de bondade e mandar essa energia ao céu na esperança de que atinja o objeto da nossa oração, porém, perdoe-me, não é o suficiente. O meu xará disse lá na Bíblia: "A fé sem obras é morta.", isto é, fé precisa de ação. Entendeu o meu ponto? Não adianta rezar e não agir.
A vida tem tantos clichês, e é muito engraçado se deparar com cada um deles, mas sim, é na dificuldade que a gente descobre quem é quem na vida da gente.
Mais uma fase praticamente concluída.
Mais lições aprendidas.
Mais observações realizadas.
As palavras acima não compõe um desabafo, compõe sim constatações particulares. Minhas. Só minhas.

domingo, 24 de setembro de 2017

Tornando mais fácil...

Há quem diga ao contrário, mas se prestarmos atenção vamos nos dar conta do quanto é difícil viver.
A gente sempre tem um plano e a vida descaradamente, muda tudo.
Haja vigor para recomeçar.
Haja maturidade para entender.
Haja pernas fortes!
Acontece que se tem algo em que somos bons de verdade é em recomeçar.
Cada amanhecer é um recomeço.
A gente, diante dos novos ciclos da vida, enche o coração de esperança e vai.
A questão é: não se vive só de esperança.
A vida é ação.
E para agir, para caminhar em busca das nossas metas precisamos de uma série de armas e ferramentas. Eu não quero me atentar a todas agora, apenas uma, a que pode fazer qualquer caminho ser menos duro: o amor para com o outro.
Seja qual a direção em que você esteja indo, ame.
Seja qual a sua meta, coloque amor no trajeto.
Seja qual for o número de pessoas com quem você convive e se relaciona, dê amor.
Lembre-se, quem caminha ao seu lado, ou perto de você passa por batalhas que na maioria das vezes você nem imagina.
Respeite. Ame. Entenda. Demonstre.
Num mundo onde cada vez mais as pessoas são egoístas, seja diferente.
Vai uma verdade:
Numa vida tão concorrida, de lutas diárias tão intensas, é compreensível quando esquecemos de quem somos por dentro e passamos a agir de maneira mecânica, desprovida de afeto.
Pegue o sentido oposto.
Numa selva onde o tempo todo estão tentando nos convencer que não somos bons o bastante, competentes o bastante, bonitos o bastante, cheios de sucesso como deveríamos, seja bálsamo a quem você ama. Lembre sempre às pessoas que você convive que elas são especiais, são talentosas, são admiráveis e quanto você as ama.
O mundo já tem juízes demais.
O mundo já tem depreciadores demais.
Se for para ser alguém para quem você convive, seja quem os coloque para cima, e não o contrário.
Só o amor pode curar as rachaduras do mundo. 
Ame.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Certeza

Ontem me ocorreu que na vida, certo mesmo, é que somos sozinhos, que não importa quantas pessoas conhecemos pelo caminho, quantos amigos julgamos ter feitos, quantos amores conquistados, a experiência da vida é silenciosa e solitária.
Por mais que nos esforcemos a pensar que não, que na hora que mais precisarmos teremos amparo, que na hora do medo teremos alguém para segurar a nossa mão, creia em mim, não funciona bem assim na prática.
A vida é de dentro para fora, e ninguém realmente consegue alcançar o que há dentro da gente.
A dor que mais dói é aquela que a gente esconde.
É revelador compreender que lá fora tudo continua sem a gente. O dia continua bonito, as agendas continuam a ocupar pessoas, o trânsito a correr, só você parou, só você se engrugiu e desapareceu por um momento, e daqui a pouco pode desaparecer para sempre.
Promessas de amor romântico! Talvez o amor romântico seja uma das maiores mentiras que já contamos, e vivemos, e passamos para frente.
Não há romantismo na dor, ela é seca, e corta a gente como lâmina, lentamente.
Não há romantismo na solidão, ela é silenciosa e enlouquecedora.
Mas a vida é um grande clichê: a gente não entende o outro até passar por algo parecido, a gente valoriza quando não tem mais, e assim por diante...
Eu sempre foi um idealista romântico. Eu sempre acreditei que o amor demonstrado poderia salvar o mundo de alguém, ou ao menos torná-lo melhor. Hoje não sei...
O que sei: as piores experiências da vida são vividas no nosso íntimo, enquanto as pessoas que amamos estão ocupadas demais.
Não reclamo, constato.
Não peço.
Vou continuar a lidar com os meus demônios, como sempre, porém com novas certeza, solitárias e únicas certezas.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Escrevendo...

Eu gosto de escrever. Sempre gostei.
Não sei se escrevo bem ou não, só sei que quando escrevo coloco para fora o que sinto.
Sim, a gente escreve sobre a gente mesmo, não precisa mentir.
Nossos sonhos, nossas frustrações, nossos demônios.
Há períodos em que escrever é genuíno, fácil, natural. Há outros momentos onde, por mais que se queira, nada vira palavra.
Tem que estar em crise. Eu escrevo quando estou em crise. Penso que coração machucado grita mais alto, e assim fica mais fácil de ouvir.
Sobre dor, sobre amor, sobre futuro. Misturo tudo e coloco num blog.
Não por ter necessidade de expor, mas porque sei que lá no blog está guardadinho, em ordem, e acessível, para quando eu quiser retomar.
Tem vezes que leio desde a primeira publicação, desde o primeiro textos. Alguns sinto vergonha, confesso, porém lendo, consigo identificar exatamente os momentos da vida por qual estava passando ao escrevê-los. Faz bem.
Perceber as mudanças ou as não mudanças da vida gera reflexão.
Como não reconhecer a si mesmo imerso nas palavras que o seu coração disse?
É curador!
E por precisar ser curado, por querer me conhecer, e querer cada vez mais dar voz a um coração que não cansa de se machucar, sigo escrevendo.
Do que escrevo entendo, e me moldo, dia após dia.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Sobre desistências

A gente sonha.
A gente luta.
A gente cria uma meta e trabalha por ela.
Acontece que durante o caminho, esbarramos em tanta dificuldade que nos indagamos sobre seguir ou não em frente.
Apegar-se a dura estrada que ainda há pela frente assusta, amedronta, porém olhar para a dura estrada já percorrida deve despertar em nós o sentimento oposto, deve despertar em nós a reflexão de como fomos fortes até aqui.
Esse é o cenário ideal, claro. Mas e no cenário real, como funciona?
Como reagir quando a vontade é de deixar tudo?
Como administrar o sentimento de incapacidade?
São tantos por quês que a gente trava, paralisa.
Mas eu penso, e olha que passo noites inteiras pensando sobre coisas, que precisamos, no nossa caminho, entender a diferença entre as concessões e as desistências.
Para cada escolha que fazemos na vida, acabamos abrindo mão de outro caminho, de outra escolha de outra oportunidade. E isso é bom, é maduro, é inteligente, é concessão.
Em contrapartida, do outro lado da história estão as desistências. E desistir é fadiga, é entrega de pontos, é não querer lidar mais, e querer enterrar algo. Desistir não é  algo bom, porque nunca sabemos , ao desistir, se não estamos cortando justamente o fio que nos mantém de pé.
Não desista do amor.
Não desista de amar.
Não desista das pessoas.
Não desista de tornar o seu mundo um lugar melhor.

Não desista.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Palavra e Ponto

Sinto muito, erramos.
Eu sei que a sua intenção era boa, mas não soubemos aproveitar.
Eram recursos demais, poderes demais.
Desculpe, entendemos tudo errado.
Cada um de nós imagina você de um jeito.
Cada um de nós compreende o que você ensinou de uma maneira.
O que importa mesmo é que do amor, que deveríamos ter aprendido e que supostamente deveria nos unir, bem, quase nada nos une.
A religião nos separa, nos divide, nos faz odiarmos, a gente faz guerras por causa dela, mata pessoas, destrói lugares, famílias, não importa. Em nome da fé matamos mais do que por outras razões. Desculpe.
A gente quer poder também, mais do que precisa. Queremos nos sobrepor sobre o outro. Empatia, não temos, eu sei que você ensinou sobre isso, mas perdão, não aprendemos. Para ter poder incitamos o ódio, e por falar em ódio, este sim é um sentimento que nos une. Sempre odiamos algo, ou alguém, temos essa necessidade, entende? Você falou sobre amor e respeito, e nós ouvimos ódio. Pensou diferente da gente, odiamos. Tem um discurso diferente, odiamos. Nós nos tornamos especialistas em odiar, e em agir motivados por esse ódio.
Hoje por aqui os pais matam os filhos por diferenças ideológicas, e se matam depois.
Desculpe, nós definitivamente não aprendemos que somos todos iguais. As mulheres não são, nem os negros, nem os gays, nem os deficientes. E não o digo apenas em questão a oportunidades, que definitivamente não são as mesmas, me refiro a sentir-se igual, a não ser violentado na rua, a não receber ameaças na internet.
Sinto muito mas não sabemos, de um modo geral educar as nossas crianças. Temos um discurso educacional e de formação com um texto pronto sobre desigualdade. Sim, os ensinamos primeiro sobre o diferente ser ruim, e não o contrário.
Desculpe mas estamos destruindo tudo. O planeta, as águas. A gente se importa muito pouco, ou quase nada, com quem virá em seguida. E por não nos preocuparmos, tanto faz como encontrarão as coisas por aqui.
As lições de fidelidade e lealdade, sinto muito, não aprendemos direito. Na verdade a gente se importa muito pouco com o outro, com o que ele sente e como reage.
Hoje em dia falamos muito sobre liberdade. A de expressão, a sexual, a financeira, a gente só esquece que as barreiras que nos prendem são postas por nós mesmos.
Pouca gente se apaixona, desculpa. Se tem alguém por quem somos definitivamente apaixonados esse alguém somos nós mesmos. Nos amamos. E em nome desse amor passamos por cima dos outros, mentimos, enganamos, e fazemos tudo, tudo o que for preciso.
E não adianta opinar, formular, dissertar. A nossa opinião será esquecida em dois cliques, porque se tem algo veloz hoje em dia é a informação, quase não damos conta de memorizar nada, de demorar em nada, de nos aprofundar em nada. Somos soterrados a todo instante por informações e imagens e mensagens, desculpe por isso.
Continuam a valer os clichês: valorizamos quando perdemos, compreendemos quando não há tempo.
A gente não entende mesmo de amor, e sim, eu sinto muito. A gente prefere dizer eu te amo frente a uma lápide à uma janela. Prefere visitar no hospital à uma xícara de café em casa, na sala. Prefere chorar sobre as fotos antigas à um ombro.
Desculpe, mas se você olhar bem, aqui não tem sido um bom lugar. É lindo, eu sei, mas tem sido difícil demais buscar equilíbrio diante de tanto caos.
Mas nem tudo está perdido, tem gente muito boa, solidaria, que ama você e demonstra, tem gente que não faz distinção das Marias, Joanas, Anas, nem as que nasceram assim, nem das que se tornaram. Tem gente que respeita o diferente, que exercita a tolerância. Tem gente que faz isso tudo valer à pena. E gente que não desiste. E enquanto houver quem não desista estaremos aqui, na esperança de que um dia a gente aprenda.

domingo, 11 de setembro de 2016

Depende...

Das coisas que a gente aprende com a vida, a de que nada pode nos surpreender talvez seja a mais importante.
Nada pode nos surpreender.
Somos humanos, e a nossa humanidade justifica tudo, dos mais nobres aos mais sórdidos gestos.
O fato de que somos capazes de tudo, não pode, em hipótese alguma, nos fazer ter a sensação de "tudo bem".
O tudo bem frente as coisas da vida faz com que sejamos acomodados e acovardados.
De repente nada nos assusta mais, nem nos encanta, porque está tudo bem.
Mas não está!
Não está tudo bem!
Há o inevitável em nossa vida.
Há o amor que acaba.
Não ter dinheiro.
Ter ódio.
Há o tropeço, o fracasso.
Há a dor a solidão.
Sobre a maioria dessas coisas, não há nada que possa ser feito.
As inevitabilidades da vida tem esse nome exatamente por não poderem ser controladas, porém, como se comportar frente as inevitabilidades é algo passível de decisão.
O amor acabou, opto por respeitar.
O dinheiro acabou, opto por consegui-lo de modo honesto.
Há ódio, escolho o exercício do perdão.
Há dor e solidão, escolho um novo caminho.
A sensação de fim de estrada não é justa.
Sempre que acaba um caminho, há outro para começar,
Sinal de inteligência e de sucesso futuro: começar os novos caminhos de maneira justa, honesta e respeitosa. Plantando coisas boas, não haverá colheita ruim.

domingo, 28 de agosto de 2016

Consertar

A vida da gente é engraçada demais.
A gente espera, planeja, se dedica, põe todas as esperanças e quando acontece: nada de diferente dentro da gente.
Eu costumo pensar que a vida está aí, nos dando e nos tirando na mesma proporção.
Das coisas que aprendi. uma das mais latentes na minha personalidade foi a ação de consertar.
Consertar é o ato de devolver utilidade.
Engana-se quem pensa que apenas coisas são consertáveis, não, coisas, relações, pessoas, tudo pode ser consertado, tudo pode ter a sua utilidade devolvida.
Acontece que, mudança é porta que se abre por dentro.
Pessoas e relações são muito mais complicadas de serem consertadas que coisas.
Embora tudo possa ser consertado há relações que não se consertam.
Você pode até querer.
As tradições podem dizer que sim.
Quem está de fora pode dizer que sim, mas não dá.
Não se arruma.
Há tanto desgaste, que não junta mais.
Não é magoa, não é sentimento ruim.
É fim de caminho, não tem mais como ir adiante.
Daria até pra dizer que sente muito, porém, quando dentro da gente há a certeza de ter se feito tudo, mais que tudo, não tem como sentir pesar.
Tem coisas que acabam.
Acabou.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Eu, eu mesmo...

Demorei a entender.
A gente é programado, desde muito cedo, a condicionar a nossa felicidade ao outro.
Seja gente, seja material, só seremos felizes se tivermos o outro.
Nessa ânsia por conquistar, por estar sempre com algo ou com alguém, a gente se esforça demais, e vai deixando detalhes de si pelo caminho, e de repente, nem se reconhece mais.
Imagina, cozinhar só para mim!
Não, não vou, não tenho companhia!
Odeio ir ao cinema sozinho!
E por aí vai...
A vida acontecendo e a gente dependendo demais dec alguém na nossa cena para que ela seja uma cena feliz. Se não tiver ninguém, pronto, é filme triste.
O que a gente demora demais em se dar conta é que, a maioria das experiências da vida são solitárias.
Dor, a gente sente sozinho. Medo também.
Compartilhar é importante? Sim.
Ter amores, amigos, gente do lado? Claro! Porém, se não tiver, tudo bem!
Cozinhar só para si? Sim!
Deixar de ir por não ter companhia? Nunca mais.
Cinema? Sempre! Não importa se acompanhado ou desacompanhado.
Acontece que tentam roubar de nós a percepção de que há felicidade em fazer as coisas sozinho.
Eu percebi isso quando sentei numa cafeteria lotada, pedi o meu Macchiato com Caramelo, um Muffin de Banana, olhei as pessoas ao meu redor e não tive pena de mim por estar sozinho, ao contrário, eu me senti feliz por estar sentado comigo mesmo, livre por experimentar o meu café e o meu bolinho. Havia prazer ali! Havia alegria em aproveitar apenas a minha companhia.
Não estou dizendo que é para ser egoísta, só estou desmistificando a supervalorização das relações, e por medo da solidão, topar qualquer relacionamento, qualquer amizade.
Quando a gente gosta da companhia da gente, qualquer um pode gostar, pelo que a gente é de verdade.
E ser de verdade é tão melhor.


terça-feira, 8 de março de 2016

Sobre igualdade...

                                                                   Aqui em casa não aprendi a comemorar o dia das mulheres.
Não porque nasci numa família machista, longe disso, mas porque nunca fomos tão apegados nessa questão. Talvez seja uma falha. Talvez.
Na escola eu aprendi o reais motivos da comemoração, entendi o aspecto social, seus significados e a representatividade da data.
Respeito. Acho lindo mulheres serem lembradas por serem mulheres, e nada mais.
O que eu não entendo é como nós, ainda hoje em dia, precisamos lutar por direitos iguais, seja em qualquer configuração que nos diferencie.
Afinal, o que nos diferencia?
Sim, eu disse acima que hoje entendo toda a questão social do feminismo, e em adição, o de tantas outras causa que vemos por aí. Pessoas lutando por seus direitos. Paradoxal, porque se é direito é direito, não seria, tecnicamente, necessário se lutar por ele.
Pois bem, eu digo isso porque o nosso discurso precisa ser efetivo, real, honesto, livre de preconceito e hipocrisia dentro de casa, não apenas na rede social, não no cartão do buquê de flores, ou da caixa de chocolates que foram recebidas hoje.
Um discurso livre de estigmas sociais em frente as nossas crianças, para que elas aprendam, desde cedo, que somos todos iguais, e que ter acesso aos direitos que vem junto com essa igualdade, depende da ação de todos nós.
Crianças que entendam, desde muito cedo que mulher, gay, negro, judeu, gordo, homem, é tudo igual.
Em se tratando de mulher, aqui em casa eu sempre tive a consciência de que não há diferença, minha mãe, foi quem criou a mim e o meu irmão sozinha.
Não tinha esse lance de dona de casa, ela estava fora, suando pela grana do aluguel, do supermercado.
Não havia tarefas de menina, todo mundo lavava o banheiro, e a louça e cozinhava.
Não havia tarefas de menino para ela, ela trocava o chuveiro, arrumava a torneira, se deliciava assistindo a uma novela, e xingava o juiz assistindo ao futebol. Flamenguista a danada.
Enfim, crescemos sem esse limite absurdo do que homem pode fazer e mulher não pode, mas não foi imposto, foi livre, foi natural.
Há algum tempo, na empresa onde trabalho, um amigo perdeu o namorado num acidente de carro.  O meu afilhado, lá com os seus cinco anos de idade, sempre ali na empresa, percebendo a falta desse meu amigo - o qual ele adorava, pois tinha os melhores lápis de cor e todas as tintas mais legais - me disse:
- Padrinho, ele deve estar muito triste, não é?
Eu afirmei, e perguntei se ele sabia quem havia morrido, ele me disse que sim, que era o namorado do fulano, e que ele deveria estar muito triste, porque imagina - comparou com seus pais - como meu pai ficaria se a minha mãe morresse. Eu chorei. Eu achei lindo. Eu achei libertador. Uma criança dando uma lição de amor e simplicidade, lendo o amor na sua forma mais pura, e ainda fazendo um paralelo da relação dos dois meninos à relação de seus pais. E por que? Porque vem crescendo num ambiente de respeito à diversidade, mais do que isso, num ambiente familiar e social que propõe a igualdade. Quisera todos tivessem a mesma sorte.
Porque se tivessem, seria muito mais simples e menos injusto o viver  das mulheres, dos LGBTs, e dos judeus, e dos negros, e de  todos.






quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Ele

Cuidar de tudo, era o que mais amava.
Aprendera desde muito cedo que amor falado pouco importa, e dedicou-se a construir a vida alicerçada no amor demonstrado. E demonstrava.
Fazia tudo para que assim soubessem: amor é cuidado!
E como cuidava. Cuidou do pai, da mãe, dos irmãos, cuidou dos amigos, das crianças, dos bichos, dos tijolos e das propriedades. Cuidou do doente de memória boa, e do de memória fraca também.
Dedicou-se. Deu de si a quem precisasse. E quando era noite, dormia tranquilamente por se sentir encontrado, fazedor.
Crescera ouvindo os provérbios, e acreditara firmemente que diante de plantio tão certeiro, colheria fartamente.
Esquecera apenas que não é tão simples assim, e que colheitas, por vezes, são perdidas em meio as intempéries.
E de intempéries sabia a cor e o sabor, porque nunca, se vira cercado de tranquilidade.
Mas cansara.
E cansado deitou-se.
Não era mais certo que o tempo melhoraria.
Desistira da colheita.
E lá, deitado permaneceu.
Não se ouve mais sobre ele.
A quem cuidou, não sabe-se o paradeiro.
E o tempo passou.
Ele.
Ele quem?

Ninguém se lembra.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Ana

Dias atrás conheci Ana.
Jovem, feliz, motivada.
Ana se vestia bem, usava o batom da estação.
Andava como quem tinha pressa, como quem sabe onde quer chegar e não tem medo do caminho.
O que não pude deixar de ver eram as cicatrizes.
Ana sofrera, ainda criança, queimaduras de segundo grau no rosto todo.
As marcas, que a princípio me sensibilizaram, por tamanha dor que supus Ana ter sofrido, me fizeram, num segundo momento, refletir.
Como alguém com marcas tão visíveis pode ter passos tão firmes?
Como alguém que tem no rosto, a estampa do que mais de dolorido alguém pode passar, mantém a direção tão determinada?
Do que me peguei pensando, tive medo de ser Ana, e de ter ali, visível, a quem quiser ver, e desprezar, as minhas marcas, e não saber lutar.
Mas quem me dera...
Quem dera ser como Ana, e lidar tão bem com as cicatrizes das feridas que tive.
Quem dera poder andar como quem quase não se importa com o que passou, mas que tem olhos fixos no que virá.
Quem dera que por um minuto fosse Ana, e a sendo, soubesse seguir em frente.
Dias atrás conheci Ana...

E ela mudou a minha vida.

domingo, 20 de dezembro de 2015

Repensando...

Eu sempre passei tempo demais arrumando meu guarda-roupa.
Eu queria que tudo estivesse organizado e em perfeito estado.
No fundo, o meu desejo, era de que quase milagrosamente, a organização dali de dentro fosse exatamente igual a organização daqui de fora.
Eu sempre passei tempo demais tentando organizar a minha vida. A ânsia de que não existisse nenhum tipo de imperfeição me fazia dedicar toda a energia na construção de uma história perfeita, meticulosamente escrita, sem pontas soltas.
Eu sempre passei tempo demais tentando organizar a vida dos outros, porque julgava eu, na minha egocêntrica maneira de pensar, que por experiência, poderia ser útil.
Eu sempre passei tempo demais tentando organizar tudo, talvez por arrogância, pensei ter as respostas para consertar o meu mundo, e todos os outros mundos.
Todo esse tempo tentando consertar tudo, hoje eu sei, foi desperdício. 
Os armários precisam estar desarrumados para imprimir verdade.
A vida precisa ser feita e refeita em meio a erros e acertos.
Salvar o mundo não é minha obrigação.
Acontece que eu gastei tempo demais tentando cuidar de tudo e todos, o tempo passou e eu fiquei para trás.
Das coisas que não tenho hoje, há enorme possibilidade de nunca ter. Porque o que deveria ter é construído com o tempo, e o tempo passou.
A gente, quando tenta salvar o mundo vira uma versão estereotipada do que se é de verdade. Pessoas te enxergam numa versão extremo-paternalista, outros numa versão super herói, incansável. Acontece que enquanto a gente se dedica a salvar o mundo, qualquer mundo que seja, a gente não encontra nenhum super herói para ajudar a salvar o nosso, porque de certo modo a impressão que deixamos é a de que não precisa.
Arrependimento? Talvez.
Cansaço? Certamente.
Tudo vai mudar? Nesse aspecto, pouco provável.
Eu só tenho um desejo: arrumar menos vezes o meu armário, e me permitir errar na vida e recomeçar, e ainda, não ser onipresente para o outro.
Quando se é onipresente dá-se a relação por validada, e não há esforço pela conquista, pela alegria, pelo cuidado, pela atenção, pela construção.
Eu quero gente que esteja por perto por mim, e não pelo que posso oferecer.
Quero que a vida me devolva as gargalhadas.
Quero segurança.
Quero romper os meus limites.
E se não der certo nessa vez, quero ser livre para tentar novamente.
E de tentar, hei de conseguir.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Desejo que sim...

Das coisas que desejo à você, poderia resumir em:
Que você seja feliz.
Que você trabalhe em algo que ame.
Que os seus amigos sejam os melhores.
Que você saboreie cada segundo das suas relações.
Que você possua resiliência.
Que em noites frias não haja solidão.
Aliás, que não haja solidão nunca.
Que você esteja sempre rodeado de pessoas.
Que a sua saúde seja boa.
Que pelo menos uma vez, em algum momento, você se sinta como primeira opção na vida de alguém.
Que haja sempre força para lutar.
Que as suas pernas sejam fortes para te levar onde você quiser.
Que você entenda o seu papel no mundo.
Que você se permita a ter altos e baixos.
Que haja riso de doer a barriga.
Surpresas de amolecer as pernas.
Borboletas no estômago.
Que haja música, em todo momento, música.
Que você descubra a beleza no adverso.
Que tenha o dom de aprender no momento mais árido.
Que você compreenda a rapidez com que tudo passa, e ame, e ria, e demonstre.
Porque amanhã quem sabe?
Amanhã poderemos não estar mais aqui, ou eu, ou você, ou tudo.
E daí, teria vivido a vida que sonhou para si?

Desejo que sim.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Quem disse...

Quem foi que disse que decepção não mata estava bem por fora.
Mata! Claro que mata!
Dia após dia morre dentro gente a admiração, o respeito, e por consequência a relação.
Há quem diga que a decepção nasce da criação exagerada de expectativa, pondo assim, a reponsabilidade da frustração no frustrado, pode até ser, mas se pararmos para pensar, nem tudo pode ser considerado expectativa, há também as convenções.
O que é convencionado, ou seja, definido por um código de conduta, não é esperado por ninguém como expectativa. Deveria vir, apenas porque deveria, porque é estabelecido e ponto.
Mas não vem. E quando não vem decepciona, e decepcionando machuca. Desacredita, desestimula.
Pensar em como o outro se sente, e por isso medir a atitude não é apenas sinal de boa educação e respeito, muito menos uma questão de humanidade, é sim sinal de nobreza.
Reduzir o outro, desrespeitá-lo, emburrecê-lo, não faz do agressor alguém maior, ou mais importante, nem mais inteligente ou poderoso, do contrário, sempre que a nossa ação é mesquinha, quem acaba diminuído somos nós mesmos.
Mas tudo isso pode ser besteira. Afinal, o que vai contra ao intransigente, segundo ele, é bobagem.


quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Por merecer mais...


aa
 "Nós aceitamos o amor que achamos que merecemos.” Charlie aprendeu e ensinou isso no filme “As vantagens de ser invisível”, e eu aprendi como Charlie.
É mais uma questão de entender-se do que de culpar a vida, o mundo, o universo, pelas nossas oportunidades, ou pela falta delas.
Por mais que possa parecer impossível libertar-se de uma situação de cárcere, por mais que seja impensável abandonar os velhos relacionamentos, e os velhos amigos, e tudo o que nos faz mal, é possível sim. E isso tudo é possível à partir do momento em que não se aceita mais as misérias dos outros, nem da vida.
Eu mereço mais, e por isso não vou me prender a nada nem a ninguém que possa despertar em mim as dores que não quero sentir, o pessimismo que não é meu, a insatisfação que não mereço.
Eu quero é mais, e quero simplesmente porque mereço mais.
Mereço ser amado e lembrado.
Mereço que quebrem a rotina por minha causa. Mereço compromissos desmarcados, porque meu tempo não é bastante.
Mereço sorrisos, presentes, cartas, mensagens, post its no computador.
Mereço elogios e correções.
Mereço muito mais do que tenho tido.
Sempre ouvi que na vida, chega-se a um momento onde as migalhas não satisfazem mais. Chegou para mim.
Nós aceitamos o amor que achamos que merecemos.

Regra.