Ela estava debruçada sobre a
janela chorando.
Chorava tanto, eram lágrimas
demais.
Me perguntei de onde vinha
tamanha dor.
Eram olhos de dor.
O olhar ao longe esperava
por alguém.
Será que esperava por um
grande amor?
Estaria ela olhando a
esperança de alguém que ama surgir naquela estrada?
De onde vinha tanta dor?
Seria o choro motivado pela
tristeza de não ser o que sonhara?
Ou então não ter conquistado
o que planejara?
Será que chorava por ter de
deixar partir alguém que pensava ser só dela?
O choro poderia ser de medo,
de angústia.
Em nenhum momento pensei que
ela chorava de felicidade.
Havia marcas naqueles olhos
que mostravam que a felicidade não passava por ali há tempos.
Ainda pensando nela olhei no
espelho.
Vi em mim as mesmas marcas.
A da saudade de quem não deveria
ter ido.
Da incerteza das coisas que não
conquistei.
Da dor de quem era para ter
vindo, e não veio.
Medo de que num futuro bem próximo
seja eu.
Apenas eu e a janela.

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