quarta-feira, 9 de maio de 2012

Janela


Ela estava debruçada sobre a janela chorando.
Chorava tanto, eram lágrimas demais.
Me perguntei de onde vinha tamanha dor.
Eram olhos de dor.
O olhar ao longe esperava por alguém.
Será que esperava por um grande amor?
Estaria ela olhando a esperança de alguém que ama surgir naquela estrada?
De onde vinha tanta dor?
Seria o choro motivado pela tristeza de não ser o que sonhara?
Ou então não ter conquistado o que planejara?
Será que chorava por ter de deixar partir alguém que pensava ser só dela?
O choro poderia ser de medo, de angústia.
Em nenhum momento pensei que ela chorava de felicidade.
Havia marcas naqueles olhos que mostravam que a felicidade não passava por ali há tempos.
Ainda pensando nela olhei no espelho.
Vi em mim as mesmas marcas.
A da saudade de quem não deveria ter ido.
Da incerteza das coisas que não conquistei.
Da dor de quem era para ter vindo, e não veio.
Medo de que num futuro bem próximo seja eu.
Apenas eu e a janela.



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