terça-feira, 24 de abril de 2012

Mentindo


Minto para mim mesmo sobre as coisas que não posso ter.
Repito várias vezes: um dia virá.
Não que eu acredite realmente nisso, mas de fantasia também se é possível viver.
Crio situações, emoções, eventos, de acordo com o que gostaria que fosse.
O sono não vem.
Minto para mim mesmo todas as noites.
Enquanto me engano vejo as coisas que eram para ser minhas.
Existe um motivo para que elas não o sejam? Talvez.
Ouça bem, minto para mim e não para os outros.
Não tenho porque enganar ninguém, nunca tive medo de me mostrar exatamente como sou:
O fraco mais forte que já existiu.
O equilíbrio que passeia pelo desequilíbrio, com essa simplicidade.
Não sou alguém imerso em conformismo, nunca fui.
Eu só quero mais.
Sempre foi assim, desde garoto.
Nunca estou satisfeito com o que abraço, sempre preciso ir além. Em descontento.
Não é ambição desmedida, é sonho de alcançar o mundo.
Não é ingratidão, é desejo.
Olho para todos os meus azuis e me pergunto onde estariam os vermelhos que quero.
E é com vermelhos que sonho todas as noites.
Porque assim o quis.
Mentindo.
Mentindo para mim mesmo antes de dormir.

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