quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Saudade


Saudade.
Dizem que a saudade é um lugar que só chega quem amou.
Eu concordo completamente.
Saudade faz parte da vida.
Lembrar-se do que passou e sentir um aperto no peito.
Aperto que dói quando se dá conta de que quem amamos está tão longe. Ou se foi para sempre.
Saudade dos momentos que ajudaram na construção do que somos hoje.
Eu sinto saudades, muita.
Quando eu era criança, me lembro bem, achava as manhãs de sábado os dias mais lindos! E dizia que o dia estava maravilhoso e diferente. Era só porque eu nunca via as outras manhãs, pois estava numa sala de aula. Sinto saudade de me maravilhar com as manhãs de sábado.
Era tudo tão saboroso, o brigadeiro, a pizza feita em casa, o quindim da padaria, o picolé do carrinho, tudo tinha gosto de verdade. Sinto saudade do gosto.
Eram os domingos de coca cola, os aniversários nas garagens, os especiais na TV no fim de ano. Era o amigo secreto na escola, os amigos de todas as horas, as peças de teatro.
Era andar descalço, queimar o pé no asfalto quente e brincar até escurecer. Entrar em casa, tomar banho, jantar e só esperar para que no outro dia a alegria se repetisse.
Problemas grandes? Muitos. Tênis que descolava, mal entendido entre amigos, nota vermelha na prova.
Os anos passavam devagar e nós sentíamos cada mês, cada semana, e seus acontecimentos. Saudade de sentir o tempo passando sem pressa.
Íamos a parques, a hortos, estendíamos uma toalha e fazíamos piquenique, há quanto tempo não ouço piquenique, os macacos roubavam nossa comida.
Éramos lindos, todos, havia os mais populares e os menos, o mais gordo e o mais magro, mas nos aceitávamos da maneira mais honesta possível, porque ainda éramos capazes de nos apegar no que realmente éramos por dentro e não que aparentávamos.
Dava para dormir uma noite toda. Sem insônia, sem preocupações antes de pegar no sono, sem medo. Saudade de não sentir medo.
Descobrimos nessa época quem seria nosso pelo resto da vida. Quem iríamos amar para sempre. Por quem iríamos comprar briga, e estar por perto, e torcer. Olhávamos nos olhos sem medo e dizíamos coisas como “eu te amo”, “você é o meu melhor amigo”, “não saberia viver sem você”.
Queríamos ser ricos, mas gostávamos da simplicidade da nossa casa, e das nossas coisas.
Queríamos o mundo, porque dentro de nós havia uma única e grande meta, a de ser feliz.
Eu me lembro de tudo o que aconteceu comigo, e sou tão grato por sentir saudade. Porque eu sei que eu não me perdi no caminho. Eu ainda tenho uma única e grande meta, eu ainda quero o mundo. Mas sinto saudade dos cheiros, dos gostos, dos rostos, das declarações, e de toda intensidade.
Saudade dos amigos que não vejo mais.
Saudade, simples e pura saudade.

3 comentários:

  1. Eu sinto saudade! Muita, que nem cabe em mim... As vezes penso que felicidade era aquilo lá, que vivemos um dia, que foi sincero, inocente, sem preço... A parte do horto, foi a que me levou mais além, pq eu amava aquele lugar, e sinto tanto por hj estar fechado e as pessoas não saberem como é aquele lugar no seu interior e poder repetir aquilo que um dia eu vivi ali... Ti, vc é o meu melhor! Eu te amo!

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  2. Cada partezinha deste texto me lembrou momentos que nunca mais voltarão. E como você disse "Saudade, simples e pura saudade". Obrigada por me fazer lembrar desses momentos que antes estavam esquecidos. Hoje a gente vive pensando no amanhã, antes a gente vivia pensando no momento.

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  3. Eu vivi tudo isso também. Acordava no sábado de manhã e minha mãe me levava para passear no centro. Era o grande passeio da semana, rsrs. Amigos... nossa que saudade, mesmo sabendo que a maioria está por perto e se fizer um esforço posso vê-los pra matar um pouquinho da saudade. Sábados a noite de pizzada e dias de domingo com churrasco. Como era fácil sorrir naquele tempo neh, não precisava de muita coisa, só daquelas pessoas que amadas. Que saudade que dá.

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