Esse era o meu medo, de
verdade.
Eu fui intenso, fui presente, fiz tudo o que estava ao meu alcance para que
houvesse felicidade.
A dor foi o meu termômetro. Ela
sempre me lembrava que eu amava, e do que eu queria, e que eu estava
empenhado.
Sempre tive medo de não doer
mais.
Não doer significaria pura e
simplesmente ter aceitado, ter entendido, ter desprendido.
Não doer diria que não importava
mais, ou havia acabado.
Sempre tive esse medo.
E é estranho porque
anestesia a gente.
O dia chegou.
Não dói mais.
Será que eu estou livre?
Será que é bom estar livre?
Será que eu quero estar
livre?
O que leio disso tudo é que
o coração verdadeiramente decide, se inclina, e pensa por si só.
Não importa, o resto pode não
acompanhar, mas o coração faz exatamente o que quer.
Os meus desejos e
expectativas agora são nada, perto do não sentir, do não doer, da mudança de
rumo imposta pelo coração.
Novamente é hora de se
aprontar para recomeçar como diz a canção.
É tempo de se readaptar, de
realocar, de seguir em frente.
Deveria ser simples, mas não
é.
O fato de não doer não significa
que poderei sorrir em breve.
Ser como sou, sentir como
sinto nunca foi bonança, ao contrário, sempre foi tempestade.

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