sexta-feira, 23 de março de 2012

Dias cinza


Há dias que são em preto e branco, que por mais se tente, não é possível colorir nem que seja um minuto.
Há dias em que se quer silêncio e calma.
Dias que o melhor seria debruçar a cabeça no colo de Deus.
Tem dias na vida da gente, que seria preciso que o mundo entendesse  que não estamos dispostos a conversar.
Nesses dias seria tão bom se o melhor amigo tocasse o ombro, levemente, só para mostrar apoio.
Bom também seria deitar quietinho ao lado de quem se ama, e ouvir apenas a respiração suave, sentir o calor, a presença.
Tem dias que a sensação de estar incomodado e querer voltar para casa se instalam até mesmo quando se está em casa.
Nesses dias seria bom se houvesse uma estrada, com flores dos dois lados para que nós pudéssemos correr sem medo, sem pressa, no ritmo do vento.
Penso que nesses dias a chuva devia aparecer, para que água ao molhar o rosto levasse as tristezas, e os pingos pesados batendo nas costas trouxessem de volta à vida.
Em dias como esse deveria ser lei geladeiras mágicas, e a cada vez que abríssemos sua porta, as nossas maiores delícias estariam ali, prontas para nós.
Em dias assim os telefones deveriam emudecer, e os problemas esperar o momento seguinte.
Nesses dias ninguém poderia partir, ninguém.
Em dias cinza o relógio deveria correr mais rápido que o normal.
Nesses dias a única sensação a habitar em nós deveria ser a de que dias cinzas não duram para sempre.
E a cor há de voltar.

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