segunda-feira, 6 de abril de 2015
Do que foi
Acabou. Fim.
Efêmero, findado.
Após o que se pensou ser, valeu a máxima:
Receba o que oferece, ou não receba nada.
Não importa o nome, era o que se tinha.
Árduo, intenso, real.
Não importa o nome.
Solidão.
Não é um com outro em alguns momentos, é um, e um contra todos.
Sinta o que quiser, mas não se pronuncie.
Para estar, para servir, seja mudo.
Não estão prontos para ouvir.
Não conseguiriam entender.
Siga só, com a cara que eu quiser, quando eu quiser.
Não levante-se. Não estenda-se. Não é você,é tipo.
Endureça.
Proteja.
Enrase-se.
Não cometa, não comprometa.
Lide você mesmo, e em silêncio,
Obrigado!
terça-feira, 17 de março de 2015
Há que se entender...
Eu choro, sempre.
Não me detenho, nem me
envergonho.
Seja assistindo um filme ou
lendo um livro, choro.
Cientificamente não sei como
funciona, mas simploriamente penso ser a famosa lei da ação e reação. O nosso cérebro
recebe um estímulo, e como reação nos pomos a chorar.
Eu sempre me orgulhei das
minhas lágrimas, as de alegria e as de dor.
Eu não teria tantas belas
historias se tivesse me blindado a não me emocionar em algum momento da minha
vida.
Há quem pense que lágrimas
demonstram fraqueza, pobre pensamento, lágrimas são sinais de sensibilidade, de
humanidade.
Há que se entender de
lágrimas para se compreender sorrisos.
Quem dera todos tivessem um
ombro para chorar, ou alguém que destinasse um minuto apenas para entender do
que sente o outro.
Mecanicidade. Relações cada
vez mais egoístas, onde na aspereza, quase que narcoticamente se imagina
ajudar. Tolice.
O que se precisa, na maioria
das vezes, é compreensão à conselho. É toque à palavra.
Se você não se coloca a
ouvir ninguém, qual a razão da sua existência?
Se você está ocupado demais
para parar o olhar, de vale suas conquistas?
Ninguém tem amar por
obrigação, a menos que se comprometeu com o amor.
Eu sempre choro.
Ultimamente choro porque
dói.
É como se fosse um filme
triste, mas é uma história minha, só minha, sem mais personagens, mas como todo
o filme, com alguns poucos expectadores, e são ocupados demais.
Se eu puder deixar algo
escrito na pedra será: olhe para os outro e faça por ele o que gostaria que
fizesse para você.
Eu também diria: renda-se a
ação e reação que provoca a lágrima, não se detenha frente às emoções da vida.
Permita-se ser intenso a
ponto de nada mais importar. Só o amor. E amor demonstrado.
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
Por mais...
Não há nada que me emocione
mais do que gente que contribui, que faz sua parte.
Não há nada mais honesto e bonito
do que acrescentar a quem quer que seja, o que quer que se tenha.
Já temos muros demais.
Já temos amarras demais.
Precisamos de mais
liberdade.
Precisamos de menos criticas
e mais bons exemplos.
É de gente que inspira a
gente que estou falando.
Aquela pessoa que poderia
apenas viver em seu mundo, mas resolve escancarar as portas e oferecer-nos do
que estamos tão carentes.
E sim, estamos carentes. Carentes
de gentilezas, de sorrisos, e de pessoas em quem confiar.
Estamos carentes de amizades
que nos aproximam da nossa essência.
Não se vê mais, a essa
altura, relacionamentos sendo criados desprovidos de interesses.
É de músicas que tocam o
coração que sentimos falta.
É de cheiro de bolo no
forno.
É de barulho de chuva.
Estamos sempre ocupados
demais em busca do que costumamos chamar de objetivo, mas que não temos bem
certeza do que é, nem como estaremos ao chegar até ele, nem se chegaremos.
É de gente que ajuda o outro
que o mundo está carente.
É de otimismo e senso de
humor.
É de gente que muda o dia da
gente sendo simples.
É tudo árduo demais.
Bondade ameniza.
Amenize-se.
Seja bom, ame.
Lembre-se que todo mundo
ama, que todo mundo sonha, que todo mundo é filho de alguém, e às vezes, fazer
essa pessoa se sentir especial é tão simples, e gratuito.
Por um mundo melhor.
Por um mundo de mais amor.
Por um mundo perfeitamente
imperfeito.
Por menos julgamentos e mais
mãos estendidas.
Por mais sonhos virando
realidade.
Por mais.
Simplesmente mais.
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
Ok?
Desaprendemos, não teve jeito.
De certo modo endurecemos, mudamos.
Era para ser diferente, claro que era!
A receita inicial era outra.
O ideal seria:
Amor, respeito, zelo.
Se assim fosse teríamos:
Bons relacionamentos, tranquilidade,
felicidade.
Mas o que fizemos no geral?
Nos fechamos.
Nos fechamos tanto, que ficou difícil ser
tocado.
Quem diz gentilezas – puxa saco.
Quem nos corrige – invejoso.
Quem nos demonstra cuidado –
interesseiro.
Perdemos a sensibilidade aliada ao bom
olhar.
Nos fechamos num mundo de ideias
nossas, absolutas, e o que o outro pensa? Bom, o que o outro pensa não importa.
Eu sei, eu vou, eu quis, frases feitas para que quando a coroa venha num final
árduo, encerremos com um: “eu conquistei sozinho!”
São pessoas se orgulhando de terem
vencido sozinhas aos montes por aí, mas não há dedos que contem quantas outras
pessoas, que poderiam ser aliadas, foram impedidas de participar da jornada,
por mero capricho, ou inabilidade de dividir, compartilhar, comunicar.
Não nos emocionamos mais.
Antes, nos dávamos ao direito de ver a
beleza do simples, de contemplar o cotidiano.
Uma história de amor para nos
emocionar hoje precisa ter artifícios extremos, de preferência dois
adolescentes apaixonados, câncer, morte, tragédia.
Ok?
Não!
Não podemos deixar que apenas o extremo
nos toque.
É preciso dar valor as coisas simples,
corriqueiras, diárias.
Desarmar-se a ponto de aceitar
elogios, ajuda, conselhos, afeto.
Reprogramar-se a ponto de elogiar,
oferecer ajuda, dar afeto.
Nem tudo é tão absoluto que não possa
ser repensado, revisado, reavaliado.
Ninguém é tão mal que não mereça outra
chance.
Nenhum amor é tão bonito quanto o que
esta acontecendo agora.
Nada é mais importante do que ser
portador de alegria.
Tudo vale mais à pena quando
escolhemos o caminho da amabilidade.
Faça um teste.
Ok?
terça-feira, 14 de outubro de 2014
Fabricio
Quanto valem dez anos?
Como se mede isso?
Primeiro a gente pensa que não
vai conseguir e de repente, dez anos!
Eu pude ver nesse tempo
tantas mudanças, tantas transformações.
Eu pude participar de tantas
alegrias e vencer tantos obstáculos.
Dez anos passam muito
depressa.
Há coisas que a gente vai
esquecendo pelo caminho. A memória trai o coração.
Lembro muito pouco da sua
voz.
Em compensação, lembro-me
como se fosse hoje do 15 de Outubro de 2004. Lembro-me de como o chão se abriu
e tudo rapidamente ficou cinza.
Lembro do sino tocando. Lembro
dos abraços, e de olhar para as pessoas e ver a dor em cada uma delas.
Lembro-me como se fosse
ontem do dia em que você partiu. Estranhamente partiu.
Nas nossas vidas ficou uma
lacuna que nunca foi preenchida.
Não se esquece de alguém
como você, que chega, ensina, muda tudo e vira anjo.
Não se esquece de tudo o que
você promoveu.
Amar definitivamente não é para qualquer um.
Como um garoto, tecnicamente
inexperiente, pode ensinar tanto sobre ser bom?
Eu nunca terei essa
resposta.
O que sei é que amor genuíno
nasce com a gente, e que quando a gente opta por ser uma pessoa boa, e melhor a
cada dia, em fazer o bem, em acreditar que quem recebe o bem, fará o bem, e
isso se torna uma corrente capaz de mudar o mundo, o universo conspira a nosso
favor. E isso você fez, e o fez grandemente.
Costumo pensar na linha da
sua existência como um anjo que chegou, mudou tudo, e voltou a ser anjo. Isso ameniza
a dor.
Amor. Quanto amor.
Saudade. Quanta saudade.
Imaginar que tipo de homem você
seria agora. Qual carreira teria seguido, se já teria filhos e esposa. Tudo é
estranho.
De qualquer forma, daqui a
pouco serão mais dez anos, e mais dez, e mais.
A mim, cabe a saudade.
Aos que te amaram, a mesma
coisa.
Mas a saudade dá lugar a gratidão,
por ter sido tão privilegiado em te ter por perto, nos melhores momentos da
minha vida.
Daí do céu olha por nós.
Seus amigos sempre falam de
você.
E eu não acredito que você não
está aqui há dez anos.
Um dia a gente se
reencontra.
Com amor,
Padrinho
segunda-feira, 23 de junho de 2014
O segredo...
Sempre me perguntei como se
mede amor, como se mensura sucesso, como se quantifica o que se conquistou
durante a vida.
Junto com essas perguntas
sempre pensei se vale mais à pena valorizar quem não tem nada e fez tudo, ou
quem tem tudo e de certo modo fez alguma coisa também.
Quanto vale o amor?
Nunca tive noção exata até
conhecer Maria.
Maria tinha no rosto a
expressão de quem não sorria há muito tempo.
Os olhos eram assustados, escondidos por trás de um óculos pesado, de lentes grossas, que claramente
denunciavam que os não enxergavam como antigamente.
Maria. Sempre gostei desse
nome. Acho simples, singelo, cheio de doçura, e não era diferente com essa
Maria.
As mãos de Maria tinham
manchas, típicas da idade que carregou, dos filhos que segurou, das lutas que
venceu, se tivesse eu, percebido Maria mais cedo, talvez houvesse tempo de saber
os detalhes de cada uma daquelas manchas, os fatos que as puseram naquelas mãos
que já haviam sido jovens e mais firmes, mas não eram mais, eram mãos simples,
marcadas, eram mãos Maria.
Maria passara pela vida
quase que despercebida. Origem simples, família simples, um número numa
estatística que eu nunca prestei muita atenção.
Tivera filhos, me disse, os
quais amou com toda a intensidade, eram diferentes, porém, não os trocaria por
nada, essa afirmação era facilmente justificada quando Maria relatou o quanto os
sonhou, porque vieram do amor, o amor pelo qual Maria se dedicou, mas que
acabara, porque além de todas as fadigas que carregava, perdeu-se de amores e ficou só, sim de
solidão entendia.
Era visível que o coração de
Maria não sorria. Mas coração sorri? Pensei. Coração sorri quando a intensidade
do que faz feliz alcança a alma, a alma de Maria talvez nunca tivera sido
feliz.
Observei seus gestos, seu
falar, sabia pouco das novidades do mundo, mas era certo que sabia demais da
vida. Parecia não saber o que fazer com o que aprendera, mas era Maria, e por
ser Maria podia ser perdoada.
Ela falava demais, e eu via
que a necessidade era a de ser ouvida.
A vi chorando, certa vez. Um
crime. Maria não podia chorar, o que levara Maria a ter tanta dor em seu peito a
ponto de sentir-se mal, apenas por existir? Ninguém pode chorar por não saber o
seu lugar, nem a quem pertence, muito menos Maria.
Ao perguntá-la o que a
deixaria feliz, a resposta quase não se voltou efetivamente para si, a
felicidade estava em seguranças para os outros. Compreensível, era Maria, e
para Maria não poderia ser diferente.
Como se mede o amor?
Quem merece amor?
Devo eu exaltar suas
vitórias ou expor seus fracassos?
Entendi porque Maria não tem
um tesouro juntado na vida.
Entendi o porquê tesouros
podem ter pesos diferentes para mim e para você.
Vi dor em Maria quando a
olhei e com o olhar a julguei como quem passou pela vida e não tem nada, além de solidão.
Me envergonhei.
Quisera todos fossem como
Maria.
Quisera eu poder cantar a
ela, todos os dias suas qualidades.
Mas não sei de Maria.
Talvez não a veja novamente.
Só sei o que levo em mim de algo Maria, sei do segredo que me contou:
Amor não se mede por quanto
você conquistou na vida, nem por quantas vezes você disse que ama a alguém em voz
alta.
Amor se mede por lágrimas
engolidas, refeições passadas ao outro, noites de trabalho, cuidado com quem se
ama.
Aprendi de Maria.
Abracei Maria, na esperança
de ser um dia tão digno quanto ela.
E foi assim, que uma Maria
mudou a minha vida.
quinta-feira, 12 de junho de 2014
Uma carta
Numa folha sobre a mesa:
“Crescer é entender que as
coisas nem sempre acompanham uma ordem natural.
Seguir é saber que há tanto
que se deixa no caminho, que num momento, lá na frente, a gente nem acredita
que sobreviveu.
Eu amava demais o que eu
tinha. Era intenso e real. Eu tinha algo que pensava ser imutável, incorrigível,
perfeito.
Acreditei que ao longo da
minha vida havia juntado amigos, parceiros de sonhos, e que a nossa história
seria sempre intensa, e cheia de amor, até porque de intensidade eu entendo, e
de amor, bom metade de mim é amor, e a outra também.
Não que me arrependa de tudo
o que fiz. Fiz porque quis, e se o fiz, foi conscientemente.
Me arrependo de ter me
prendido a um meio só.
O tempo passou e o inevitável
aconteceu, fiquei para trás.
Tudo evoluiu, e eu não. Perdi-me,
insanamente nas promessas que fizemos. Errei.
Acontece, que depois de um
tempo, recomeçar é tão difícil. O principal pensamento é o de que, pura e
simplesmente. não há mais tempo. E há? Será?
Fiquei com os meus
frangalhos e o meu cansaço. Fiquei com meus sonhos e minha solidão.
Coloquei todas as cartas na
mesa, apostei tudo, e apostei errado.
Mea culpa.
Eu deveria ter visto o
óbvio. Eu deveria ter montado o meu kit de sobrevivência, posto tudo numa bolsa
e deixado próximo, para usar agora.
Sim, se há um momento para
recorrer a algo que me ajude a sobreviver esse é o momento.
Não choro. Não há lagrimas. Há
dor. Dores fortes como a do abandono, a de não ser respeitado, a de não ouvir a
verdade. E não me refiro a uma verdade subjetiva, nem a uma verdade que quero ouvir,
me refiro a verdade reta, sem atalhos e floreios. A verdade que une dois pontos
da maneira mais prática e rápida possível. Verdade.
Não havia nenhum contrato
entre nós, não éramos regidos por nenhum código, apenas éramos unidos por amor,
amizade, fraternidade. Não posso viver acreditando que isso seja tão frágil,
tão esgotável.
Enfim, me comprometo, e me
comprometo comigo mesmo, a seguir, a sorrir, mas observe, quando puder, o meu
sorriso, ele foi mudado. Observe o meu olhar, foi tornado mais raso.
Sigo porque não há outra
alternativa.
À mim o recomeço.
À você, o melhor que houver
nessa vida.”
Escreveu-me isso, esvaziou
as gavetas, levou os retratos e se foi.
Deixou em mim o talvez...
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