Quanto valem dez anos?
Como se mede isso?
Primeiro a gente pensa que não
vai conseguir e de repente, dez anos!
Eu pude ver nesse tempo
tantas mudanças, tantas transformações.
Eu pude participar de tantas
alegrias e vencer tantos obstáculos.
Dez anos passam muito
depressa.
Há coisas que a gente vai
esquecendo pelo caminho. A memória trai o coração.
Lembro muito pouco da sua
voz.
Em compensação, lembro-me
como se fosse hoje do 15 de Outubro de 2004. Lembro-me de como o chão se abriu
e tudo rapidamente ficou cinza.
Lembro do sino tocando. Lembro
dos abraços, e de olhar para as pessoas e ver a dor em cada uma delas.
Lembro-me como se fosse
ontem do dia em que você partiu. Estranhamente partiu.
Nas nossas vidas ficou uma
lacuna que nunca foi preenchida.
Não se esquece de alguém
como você, que chega, ensina, muda tudo e vira anjo.
Não se esquece de tudo o que
você promoveu.
Amar definitivamente não é para qualquer um.
Como um garoto, tecnicamente
inexperiente, pode ensinar tanto sobre ser bom?
Eu nunca terei essa
resposta.
O que sei é que amor genuíno
nasce com a gente, e que quando a gente opta por ser uma pessoa boa, e melhor a
cada dia, em fazer o bem, em acreditar que quem recebe o bem, fará o bem, e
isso se torna uma corrente capaz de mudar o mundo, o universo conspira a nosso
favor. E isso você fez, e o fez grandemente.
Costumo pensar na linha da
sua existência como um anjo que chegou, mudou tudo, e voltou a ser anjo. Isso ameniza
a dor.
Amor. Quanto amor.
Saudade. Quanta saudade.
Imaginar que tipo de homem você
seria agora. Qual carreira teria seguido, se já teria filhos e esposa. Tudo é
estranho.
De qualquer forma, daqui a
pouco serão mais dez anos, e mais dez, e mais.
A mim, cabe a saudade.
Aos que te amaram, a mesma
coisa.
Mas a saudade dá lugar a gratidão,
por ter sido tão privilegiado em te ter por perto, nos melhores momentos da
minha vida.
Daí do céu olha por nós.
Seus amigos sempre falam de
você.
E eu não acredito que você não
está aqui há dez anos.
Um dia a gente se
reencontra.
Com amor,
Padrinho

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