Como assim foda-se?
Virou lema: foda-se!
As pessoas usam a expressão acima para definirem-se ou mesmo
como um grito de liberdade.
“Vamos ser felizes e foda-se o resto!”
Que resto?
Não tem como dizer foda-se o resto.
O resto é muita coisa.
Esse grito me parece típico de um sustentado ou de um
irresponsável.
Eu não posso sair para ser feliz e deixar o resto se
explodir.
Isso não é libertador, ao contrário, é ainda mais
atormentador.
Viver não é fazer apenas o que se tem vontade.
Há também o que se fazer porque é necessário.
E se o cirurgião pensasse: Foda-se o anestesista, vou
operar sem ele! Daria certo?
O segredo de se viver bem está no equilíbrio.
Nada extremista resolve por muito tempo.
É até compreensível que muitas vezes trata-se de alguém
tão cansado, subjugado, obrigado, que quer romper com o que oprime e manda tudo
às favas.
O problema é a cultura que se cria em volta disso, são os
monstros que alimentamos nos moldes do “seja feliz e não se importe com o
outro, com o que ele sente, muito menos com as coisas, e o valor que elas têm.”
Não podemos esquecer que as nossas atitudes não reagem
somente em nós mesmos, elas reagem no nosso meio.
Para realmente decidir o que excluir, desprender da nossa
vida, o melhor caminho é analisar, pensar, descobrir quem somos, reconhecer o
nosso papel no mundo, e aí sim, conscientemente romper com o que tanto queremos
carimbar com o tal do foda-se.
O sinal está aceso. Se há algo que precisa ser mandado
para longe nota-se um desequilíbrio.
Faça o que tem de ser feito.
Entre fazer por fazer, e fazer do jeito certo, escolha o
segundo. Isso sim pode ser libertador.

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