segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Por falar em lugares que só chega quem amou...


Chega um dia onde o seu mundo é virado de pernas para o ar.
Tudo está bem, e de repente, o chão é tirado.
Você ria até então.
Não que a vida fosse simples, ou fácil, mas estavam todos ali, e isso, bom, isso fazia tudo ser possível.
O telefone toca, ou o médico adentra a sala.
Há pesar na voz, há receio nos olhos.
E as temidas palavras estão todas unidas, ressoando na frase que você não quer ouvir, que não esperou ouvir, que ninguém está pronto para ouvir.
Mas quem se importa?
Tudo muda. E tão rápido.
Não há palavras que expressariam com fidelidade a dor.
Sim, todos partiremos um dia, mas como lidar com um corpo vazio?
Há olhos, mas nunca mais haverá olhares.
Há braços, mas os abraços, ah os abraços se foram para sempre.
Tudo se reúne agora a uma caixa de lembranças.
Tudo o que aconteceu, tudo o que fora vivido, lembranças.
Dói. Pensar dói. Lembrar dói. Respirar dói.
Você olha pro céu e sente que talvez não consiga.
É dor demais. Chorar dói.
Abraços. Palavras. E tudo o que você espera é acordar. Tudo o que você espera é um milagre.
A realidade é dura demais, e milagres nem sempre acontecem.
Todos vão embora.
Voltar para casa dói.
Recolher as roupas, olhar as fotografias espalhadas nos móveis.
Quem disse que viver só de lembranças é possível?
Quem ensina a deixar partir?
Quem diz para o coração que por mais que assim sintamos, não somos uns dos outros?
E o tempo passa.
O medo.
Você não lembra mais da voz.
Você se confunde se as memórias são mesmo reais ou são fotografias criadas.
Você volta a sorrir.
Você se culpa por sua vida continuar.
E o tempo passa.
E chega o momento em que a dor dá lugar a saudade.
Que a sensação é de que o que separa vocês, seja apenas uma viagem.
Há dias em que coisas boas acontecem e o que você mais queria era dividir, e percebe que não tem como.
Pois se foi.
E mesmo assim o amor cresceu.
E mesmo assim você se sentiu cuidado, protegido.
Os anos passam e a lembrança vem visitar todos os dias.
Mas no fundo, lá no fundo, você pensa:
Daria tudo para te ver novamente.
Ao menos uma vez, te ver novamente.

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