Chega um dia onde o seu
mundo é virado de pernas para o ar.
Tudo está bem, e de repente,
o chão é tirado.
Você ria até então.
Não que a vida fosse
simples, ou fácil, mas estavam todos ali, e isso, bom, isso fazia tudo ser possível.
O telefone toca, ou o médico
adentra a sala.
Há pesar na voz, há receio
nos olhos.
E as temidas palavras estão todas
unidas, ressoando na frase que você não quer ouvir, que não esperou ouvir, que ninguém
está pronto para ouvir.
Mas quem se importa?
Tudo muda. E tão rápido.
Não há palavras que
expressariam com fidelidade a dor.
Sim, todos partiremos um
dia, mas como lidar com um corpo vazio?
Há olhos, mas nunca mais haverá
olhares.
Há braços, mas os abraços,
ah os abraços se foram para sempre.
Tudo se reúne agora a uma
caixa de lembranças.
Tudo o que aconteceu, tudo o
que fora vivido, lembranças.
Dói. Pensar dói. Lembrar dói.
Respirar dói.
Você olha pro céu e sente
que talvez não consiga.
É dor demais. Chorar dói.
Abraços. Palavras. E tudo o
que você espera é acordar. Tudo o que você espera é um milagre.
A realidade é dura demais, e
milagres nem sempre acontecem.
Todos vão embora.
Voltar para casa dói.
Recolher as roupas, olhar as
fotografias espalhadas nos móveis.
Quem disse que viver só de
lembranças é possível?
Quem ensina a deixar partir?
Quem diz para o coração que
por mais que assim sintamos, não somos uns dos outros?
E o tempo passa.
O medo.
Você não lembra mais da voz.
Você se confunde se as memórias
são mesmo reais ou são fotografias criadas.
Você volta a sorrir.
Você se culpa por sua vida
continuar.
E o tempo passa.
E chega o momento em que a
dor dá lugar a saudade.
Que a sensação é de que o
que separa vocês, seja apenas uma viagem.
Há dias em que coisas boas
acontecem e o que você mais queria era dividir, e percebe que não tem como.
Pois se foi.
E mesmo assim o amor
cresceu.
E mesmo assim você se sentiu
cuidado, protegido.
Os anos passam e a lembrança
vem visitar todos os dias.
Mas no fundo, lá no fundo, você
pensa:
Daria tudo para te ver
novamente.
Ao menos uma vez, te ver
novamente.

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