segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Como Clarice...


Liberdade é pouco, o que eu desejo ainda não tem nome! (Clarice Lispector)

Para. Respira. Me diz.
Me diz há quanto tempo você está adiando aquele sonho?
Faz quanto tempo que não anda de bicicleta ou que nem abre mais aquela gaveta?
Sobre o sonho, você lembra qual era, não é mesmo?
Não?
Acontece!
Não se desespere!
Acontece que temos tantos compromissos, tantas tarefas, tantas reuniões, uma rotina puxada, um telefone na mesa, um no quarto, outro no bolso.
É o compromisso com a beleza, o compromisso com a carreira, o compromisso com o namorado, com o marido, com os filhos, com a graduação ou com a pós graduação.
A televisão sempre ligada, as noticias na internet, o rádio no carro sempre com alguma musica, e barulho e barulho e barulho.
Há quanto tempo você não ouve apenas o barulho do silencio?
Há quanto tempo não coloca os pés descalços no chão?
O que você sonhava ser quando era criança? Do que mais sente falta no seu quarto de adolescente?
Qual era sua música predileta, aquela que fazia seu coração bater mais forte?
Qual era o nome da sua melhor amiga?
Você teve um animal de estimação?
Lembra daquela roupa com a qual você arrasava?
E de macarronada todo domingo, lembra?
Sente saudade de alguém que já foi embora pra sempre?
Nossa, tanta coisa já aconteceu!
Tantas coisas que trazem saudade.
Tantas experiências que fizeram você ser o que você é hoje.
O que acontece,  é  que se não fizermos isso aqui, parar e nos recordar das coisas da nossa vida, do nosso passado, acabaremos nos esquecendo de quem já fomos.
Por sermos tendenciosos, as únicas experiências de vida que costumamos nos lembrar são as tristes, as traumáticas, as doloridas. Temos esse defeito, de nos apegar exageradamente no que nos causou dor, mas o processo deve ser inverso.
Recorde-se da sua infância, da sua adolescência, lembre-se do que te fazia sorrir, e busque esse algo novamente, e ria, simplesmente ria.
Reúna os amigos de dez anos atrás, convide-os para jantar, relembre histórias, e ria.
Conte para os amigos novos, para os colegas de trabalho qual era o seu apelido, qual era o nome do seu cachorro, e qual era o prato que melhor sua mãe cozinhava, e deleite-se.
Fique descalça.
Descubra o telefone da sua professora predileta no ginásio, ligue para ela, conte onde você está hoje, riam juntas.
Faça uma prece por quem já partiu e deixou saudade, coloque a mão no seu peito, aperte perto do coração, jogue pro céu, e ria, ria de saudade boa.
As casadas que olhem para os maridos e relembrem das primeiras paqueras, do frio na barriga, conte para os filhos como foi, eles vão rir, você também, e no final você verá que vocês não estão juntos por acaso.
Escreva uma carta para você mesma. Se elogie, se corrija, se redescubra.
Deseje ser melhor, deseje fazer melhor.
Volto a dizer que são tantas coisas e tantos acontecimentos que teimam em fazer com que esqueçamos qual é a nossa essência.
Mas isso não vai acontecer com você, porque você é mulher, porque você é perfeita até mesmo dentro das suas imperfeições.
Deseje mais ainda ser feliz. Lute para que isso seja real na sua vida a na de quem você ama.
Seja livre. Queira a liberdade. Queira o que só você sabe o que é. Queira o que ainda não tem nome.
Vista-se.
Impressione.
O mundo é todo seu.

Tiago Marques


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