quarta-feira, 26 de março de 2014

Estava escrito

É por entender de dor que falo com propriedade:
Ninguém pertence a ninguém, nem que queira.
Somos indivíduos únicos, com pensamentos voltados para a singularidade, quando menciono singularidade leia egoísmo.
Sonhamos um mundo colorido, o oposto das nossas tragédias em preto e branco.
É como se o bem que desejamos fosse medido com a intensidade do medo que temos do que é ruim e que tentamos repelir de nós.
É um porto de navios não ancorados.
Porque sentir-se bom, não significa sê-lo.
Porque entender de gente, não  faz ninguém mais humano.
Em prece, corra.
Corra para longe.
Leve consigo suas mazelas, suas ironias e sua estupidez.
Você não é o que pensa.
Você não é o livro denso e coerente que pensa ser.
Você é piada, e das grosseiras, daquelas que se escuta no balcão do bar sujo da esquina.
Se há salvação? Não sei.
O que existe mesmo, de verdade, é a vontade louca de liberdade.
Mais que querer estar, querer seguir.
Não é tão simples quanto possa parecer, mas em qual dimensão excluímos possibilidades?
Há sempre um amanhã pior disfarçado de esperança.
Pegue os seus julgamentos e faça deles o que bem entender.
O fato de olhar para você, não significa que te veja.
O fato de escutar você, não significa que te ouça.
O fato de ter amado você, não quer dizer que possa suportar tudo.
De fato em fato somos isso, o longe, o apartado, o solitário.
Tinha que ser assim.

Estava escrito.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Os sonhos que aprendi...

Muito se pensa.
Muito se fala.
Muito se especula.
Pouco se faz.
Pouco se sente. 
E se a vida fosse como sonhamos?
E se os sonhos fizessem parte da vida?
Quanto se perde por lutar diariamente pelo que se quer? E quanto se ganha? 
Sonho os sonhos que aprendi.
Penso os pensamentos que me vem.
Transformo em querer meu pensar para ser honesto comigo.
Transformo em ação meu querer para see justo comigo.
Quantas noites formam um sábio?
Quantas batalhas teve de ganhar o fraco até ser chamado de valente?
Quanto tempo mais até entender?
Sendo isso o que há em mim o que me resta a não ser permanecer, lutar, tentar e tentar de novo? 
Sonho os sonhos de um coração inconstante, onde  deposito minha juventude, minha força e meu amar.
E assim sigo, em direção do que terei de ser, até que possa ser eu mesmo.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Aprendendo e Vivendo

“A felicidade não é uma estação onde chegamos, mas uma maneira de viajar.”  Margareth Lee Rimbeuk

É rápido demais.
O ano, a semana, o dia. De repente, passou.
Isso aumenta em nós a ansiedade por tudo e por todas as coisas, e diminui a capacidade de perceber a beleza do que acontece conosco dia após dia.
Você já parou e pensou onde estava a cinco, dez anos atrás?
Sempre nos fazem essa pergunta, mas noutro tempo, projetada no futuro, para que, teoricamente, nos motivemos a lutar mais, a nos preparar mais, a acordar ainda mais cedo.
Mas hoje, do banco em que você se senta hoje, você consegue olhar para trás e perceber todo o caminho já que percorreu?
É possível enxergar em quantas batalhas esteve, e quantas delas ganhou?
Percebe a mudança, não só a física, mas a emocional?
Você chegou onde queria?
Foi preciso mudar os planos? Foi preciso recomeçar?
Quantas vezes na nossa vida, no nosso caminho, deixamos de ser felizes porque nos apegamos demais no que não conseguimos ter, no que não pudemos mudar, no que perdemos.
Deveria ser ao contrário.
 Em tudo há uma lição.
Mude a maneira de perceber, de sentir a vida.
Olhe para as suas conquistas, elas são mérito seu!
Projete-se no futuro sim, é importante, mas faça disso apenas uma ferramenta para desenvolver suas metas.
As metas nascem dos nossos sonhos, sonhe muito, e corra atrás de tudo o que quiser.
Mas experimente a graça de todos os dias respirar fundo, olhar para si mesmo e dizer: eu andei tanto para chegar até aqui! Eu mereço ser feliz! Eu tenho tempo para refazer o que eu preciso! Eu posso!
Convencer-se de que a felicidade é uma possibilidade real, torna a vida mais feliz.
Demorar a maneira de olhar para quem você ama, alimenta o amor.
Entender que sucesso está mais ligado a fazer o melhor humanamente, do que a uma história sem erros, isso pode fazer a diferença.
Anime-se.
Ame-se.
Ame.
Mude você.
Mude o mundo.
O resto?
O resto é mole, para quem tem leveza em si.
E a vida, bom, a vida é pra quem consegue ver o passado como modelo de um futuro que pode ser muito melhor.
E será.


sexta-feira, 7 de março de 2014

Importa

O que importa mesmo é quem se importa de verdade.
Se não se importa, entorta, quebra, acaba.
Quando se quer se alcança.
E se o telefone não toca?
E se a solidão for rotina?
O que importa é a porta.
A porta que abre, que permite, que liberta, que mostra o novo.
Porta fechada é silêncio, e obstáculo, é ninguém.
O que importa é o riso.
Dos mais finos aos mais largos.
Riso do riso.
Riso além da dor.
Riso que faz o rosto mudar de cor.
O que importa mesmo é perder a respiração.
De susto, de esforço ou de riso.
É ar indo embora e levando o que tem que sair.
É ar que entra, velocidade que aumenta, é suor.
Sentir a vida da gente, na gente é dádiva.
E vida não é solidão, vida é mais gente do que cabe na sala.
Vida é gente que se importa.
Vida é rir, recomeçar, perder e recuperar.
Vida é aprender e ensinar.
Vida é decisão.
E precisamos de mais vidas latentes perto de nós.
E precisamos de mundos melhores, criados e habitados.
E precisamos de gente que acredita.
E de mais gente.
E gente que aprendeu que observar é mais importante que julgar.

Porque num mundo que importa, o que importa é amar.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Procura-se

Procura-se os sonhos que foram levados sem que percebesse.
Procura-se o encantamento que oscila.
Procura-se por sorrisos.
Procura-se por momentos doces, igual a vitrine de padaria.
Procura-se intensivamente por mais intensidade.
Procura-se por mudança boa, e por força.
Se souber onde foram parar aqueles instantes, me avise! Também procuro por eles.
Procuro por amor genuíno.
Procuro por amor retribuído.
Procuro por felicidade grande, incabível.
Onde há mais papéis? Preciso de mais papéis para escrever de sonhos. Procuro papéis.
Quero encontrar menos muros e mais abraços.
Procura-se amigo que faz a vida ser leve.
Procuro canções, as de ninar e as de dançar.
Procuro mais gente sã e menos sanidade.
Procura-se por quem ama o que faz.
Procura-se lugares de sol ameno, de sombras largas, de vento forte.
Procura-se por aromas, os de flores, o de café, o de livro novo.
Procura-se por diferença, movimento, novos capítulos.
Procura-se por mocinhos mais vilões, e vilões que fazem o bem.
Procura-se, morando lado a lado, o real e o subjetivo.
Procura-se o que se quer, o que se sonha o que se deseja.
Porque a vida, o que seria se não uma grande procura?

Sendo assim procuro, e procuro até encontrar.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Mania

Para o inferno com esse seu egoísmo.
Não diga isso, porque pode ser tudo, menos natural.
Enfrente de frente.
Não se curve como uma criança amedrontada.
Medo de que?
Das consequências das suas escolhas?
Calma aí, tem algo errado nisso.
Tudo pelo qual optamos nos leva a algum lugar.
Sempre ao escolher uma possibilidade, abandonamos a outra, lei da vida, simples.
Chorumelas demais.
Autopiedade demais.
Prefiro o som do silêncio.
Prefiro força.
Prefiro grandes acontecimentos.
Prefiro nadar contra as marés.
Prefiro reatestar o que já foi atestado, e se me queimar, se doer, que fiquem marcas.
Sempre me atraí por marcas, por cicatrizes, não de uma maneira mórbida, não é isso, mas sempre pensei que quem carrega marcas impressas no corpo tem história para contar, e histórias que se tornaram marca na pele, essas sim merecem ser ouvidas.
Quanto a mim vivo de sonhos e de cacos.
De recomeços e de reconstruções.
Ninguém pode me culpar por gostar de ruínas.
Não posso ser condenado por não saber nada, e decidir a cada manhã a maneira como quero viver o hoje.
Não se trata de como o mundo é, se trata de como eu sou com o mundo.
Recolhendo cacos, colando-os, assim eu vou.
Mas nunca vou chegar nem perto do inferno com o meu egoísmo.
Porque egoísmo não sei.
Me apegar a desertos, não sei.
Hoje prefiro assim, me prefiro assim, vivendo o que me importa, e o que me importa é continuar com a mania de ver janelas onde os demais veem apenas muros.


quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Sem contar

Eu prefiro não contar, e eu gosto de gente que não conta.
Não conta vantagem, não se vangloria. Apenas faz, dá o seu melhor, entende suas metas e realiza tudo com um objetivo maior, não puramente  tangível.
Gosto de gente que perde as contas.
As contas de quantas vezes recomeçou, de quantas vezes tropeçou, de quantas vezes encontrou força onde julgou não mais haver absolutamente nada.
Gosto de quem não conta quantas chances deu a si, ao outro, ao amor, à vida. Gosto de quem não se intimida em dar segundas chances. Até porque podem ser mil, mas ainda as chamamos de segunda, porque não gostamos de contar.
Gosto de quem não economiza, não guarda para si, se expõe, fala.
Gosto de quem resolve pessoalmente.
Eu sou do tipo de pessoa que resolve pessoalmente.
Gosto de quem pega as bagunças da sua própria história e transforma em recordação.
Gosto de quem fotografa, na vida, na memoria, na câmera.
Gosto de quem não vive de rancor e esquece a mágoa.
Gosto de quem não faz tipo, nem de sonso, nem de inalcançável.
Porque o que importa mesmo, é reconhecer a nossa humanidade.
O que conta mesmo, é entender de ser feliz, e de fazer feliz.
O que muda o mundo é a maneira com que executamos o que nos propomos a fazer diariamente, e quando entendermos isso, ah, quando entendermos que o transformar está em nós, as coisas mudarão.
Porque se for para carregar dentro de nós, que seja o melhor, o mais leve, o mais representativo.
Não segurar as lágrimas diante da vida, não nos faz fracos, nos faz alunos numa aula tão particular e tão intensa.
Ser o que somos, descomplicar, seguir, alcançar. Se não for para isso, para que seria?