sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Procura-se

Procura-se os sonhos que foram levados sem que percebesse.
Procura-se o encantamento que oscila.
Procura-se por sorrisos.
Procura-se por momentos doces, igual a vitrine de padaria.
Procura-se intensivamente por mais intensidade.
Procura-se por mudança boa, e por força.
Se souber onde foram parar aqueles instantes, me avise! Também procuro por eles.
Procuro por amor genuíno.
Procuro por amor retribuído.
Procuro por felicidade grande, incabível.
Onde há mais papéis? Preciso de mais papéis para escrever de sonhos. Procuro papéis.
Quero encontrar menos muros e mais abraços.
Procura-se amigo que faz a vida ser leve.
Procuro canções, as de ninar e as de dançar.
Procuro mais gente sã e menos sanidade.
Procura-se por quem ama o que faz.
Procura-se lugares de sol ameno, de sombras largas, de vento forte.
Procura-se por aromas, os de flores, o de café, o de livro novo.
Procura-se por diferença, movimento, novos capítulos.
Procura-se por mocinhos mais vilões, e vilões que fazem o bem.
Procura-se, morando lado a lado, o real e o subjetivo.
Procura-se o que se quer, o que se sonha o que se deseja.
Porque a vida, o que seria se não uma grande procura?

Sendo assim procuro, e procuro até encontrar.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Mania

Para o inferno com esse seu egoísmo.
Não diga isso, porque pode ser tudo, menos natural.
Enfrente de frente.
Não se curve como uma criança amedrontada.
Medo de que?
Das consequências das suas escolhas?
Calma aí, tem algo errado nisso.
Tudo pelo qual optamos nos leva a algum lugar.
Sempre ao escolher uma possibilidade, abandonamos a outra, lei da vida, simples.
Chorumelas demais.
Autopiedade demais.
Prefiro o som do silêncio.
Prefiro força.
Prefiro grandes acontecimentos.
Prefiro nadar contra as marés.
Prefiro reatestar o que já foi atestado, e se me queimar, se doer, que fiquem marcas.
Sempre me atraí por marcas, por cicatrizes, não de uma maneira mórbida, não é isso, mas sempre pensei que quem carrega marcas impressas no corpo tem história para contar, e histórias que se tornaram marca na pele, essas sim merecem ser ouvidas.
Quanto a mim vivo de sonhos e de cacos.
De recomeços e de reconstruções.
Ninguém pode me culpar por gostar de ruínas.
Não posso ser condenado por não saber nada, e decidir a cada manhã a maneira como quero viver o hoje.
Não se trata de como o mundo é, se trata de como eu sou com o mundo.
Recolhendo cacos, colando-os, assim eu vou.
Mas nunca vou chegar nem perto do inferno com o meu egoísmo.
Porque egoísmo não sei.
Me apegar a desertos, não sei.
Hoje prefiro assim, me prefiro assim, vivendo o que me importa, e o que me importa é continuar com a mania de ver janelas onde os demais veem apenas muros.


quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Sem contar

Eu prefiro não contar, e eu gosto de gente que não conta.
Não conta vantagem, não se vangloria. Apenas faz, dá o seu melhor, entende suas metas e realiza tudo com um objetivo maior, não puramente  tangível.
Gosto de gente que perde as contas.
As contas de quantas vezes recomeçou, de quantas vezes tropeçou, de quantas vezes encontrou força onde julgou não mais haver absolutamente nada.
Gosto de quem não conta quantas chances deu a si, ao outro, ao amor, à vida. Gosto de quem não se intimida em dar segundas chances. Até porque podem ser mil, mas ainda as chamamos de segunda, porque não gostamos de contar.
Gosto de quem não economiza, não guarda para si, se expõe, fala.
Gosto de quem resolve pessoalmente.
Eu sou do tipo de pessoa que resolve pessoalmente.
Gosto de quem pega as bagunças da sua própria história e transforma em recordação.
Gosto de quem fotografa, na vida, na memoria, na câmera.
Gosto de quem não vive de rancor e esquece a mágoa.
Gosto de quem não faz tipo, nem de sonso, nem de inalcançável.
Porque o que importa mesmo, é reconhecer a nossa humanidade.
O que conta mesmo, é entender de ser feliz, e de fazer feliz.
O que muda o mundo é a maneira com que executamos o que nos propomos a fazer diariamente, e quando entendermos isso, ah, quando entendermos que o transformar está em nós, as coisas mudarão.
Porque se for para carregar dentro de nós, que seja o melhor, o mais leve, o mais representativo.
Não segurar as lágrimas diante da vida, não nos faz fracos, nos faz alunos numa aula tão particular e tão intensa.
Ser o que somos, descomplicar, seguir, alcançar. Se não for para isso, para que seria?


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Ou a falta de

O mais difícil é o manter-se bem.
Há dias bons, dias não tão bons.
É dolorido ver as concepções se desfazendo.
Mudam as estações e o mesmo permanece, apenas com rostos diferentes.
Não é lidar com decepção, é lidar com a vida.
Copos meio cheios, copos meio vazios, mentiras ditas em voz alta.
A única certeza é a de que precisa-se seguir em frente.
Em frente, enfrente.
É surpreendente o que há para se enfrentar dia após dia.
É demais.
A gente cresce, a gente aprende.
Há crises que são necessárias.
Nessas crises, por mais que muitas vezes percebamos que o que parece ser um retrocesso, na verdade é crescimento, amadurecimento, e crescer dói.
Descobrir que os contos de fadas só existem nos livros requer maturidade.
Entender que a solidão é inevitável pede força.
Ver que quem era não é mais exige equilíbrio.
Porque viver é isso.
Porque nem sempre o original é exatamente ao que se tinha esboçado no papel, em épocas de esperança.
Não confunda perspectiva com otimismo, ou falta de.


segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Do seu jeito

E aí chega aquele dia em que você olha para trás e pensa: quando as coisas vão dar certo de verdade?
Você analisa tudo o que aconteceu, os caminhos que percorreu, e não se encontra em nada, não se entende.
De repente se pega questionando se um dia realmente será realmente feliz.
A resposta é clara:
Será.
Claro que será!
Plante hoje, para colher amanhã.
Quem semeia o bem, o intangível, o que é bonito, não colherá nada diferente disso.
Entenda que felicidade é muito mais uma questão de escolha.
Que ter uma vida feliz é extremamente diferente daquilo que lemos nos contos de fadas, aqui é outra história, aqui é vida é real.
Sim, haverá dias em que a sensação é de que tudo está desmoronando, e do contrário, dias em que tudo dará certo.
Energize-se a ponto de ter munição para os dias não tão bons.
Saiba que a felicidade é saber enxergar com os olhos do entusiasmo, não se deixe abater.
Olhe para tudo o que é seu e pense: eu mereço isso!
Olhe para tudo o que não está como gostaria e decida: vou consertar isso!
Há forças positivas que não podemos explicar, se apegue a elas. Acredite que há planos muito maiores envolvendo você, envolvendo a sua vida.
Se preocupe muito mais com o resultado das suas ações do que com elas próprias.
Tenha em mente transformar o mundo.
Faça perdurar o hábito de ter atitudes transformadoras.
Não se prenda.
Dance sob o sol numa tarde de sábado.
Ria de você. Ria para você.
Entenda-se. Descubra-se. Redescubra-se. Encante-se.
Mude os móveis de lugar.
Renove a cor das paredes.
Cultive flores.
Goste de animais de estimação.
Lembre-se do passado com saudade.
Olhe para o futuro com coragem.
Faça acontecer.
Faça o novo.
Faça denovo.
Faça o que quiser e faça do seu jeito.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Aprendendo

Felicidade é algo que se aprende.
Quando se aprende, melhor fica a vida, mais intenso fica viver.
Felicidade para mim é proporcional a liberdade.
Só os livres são felizes.
Quando digo livres, digo os livres de si mesmos.
Quando se permite libertar-se, e aí que se descobre o quão prazerosa a vida pode ser.
E prazer é bom demais.
Prazer ao acordar de manhã, ao sair da cama.
Prazer em fazer o que se tem para fazer durante o dia.
Prazer em se trabalhar da melhor maneira que se pode.
E tudo fica diferente.
As pessoas podem até não perceber.
Mas a gente, dentro da gente, sabe que mudou alguma coisa.
Que a gente começou a crescer, a desenvolver a equilibrar.
Não é dar valor ao óbvio, e entender do que está além do que os olhos vêem.
Não é sobre o que as coisas são, é sobre o que elas significam.
E a gente não ama apenas o que o outro é.
Amamos a sensação que ele nos dá. Amamos o significado.
Descobrir que a felicidade não é sobrenatural, é algo aprendido, muda a gente.
E muda para melhor.
E quem não quer ser melhor?
Ser melhor para gente mesmo.
Porque quanto melhor nos sentirmos, mais atingiremos o outro.
E é isso.
Mudanças positivas em cadeia.
Felicidade que se descobre.
Prazer em se viver o hoje.
Nós mesmos, e equilíbrio emocional lado a lado, dividindo a mesma frase.

Minha dica: vale à pena experimentar.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Daqui do banco dos trinta...

Possivelmente seu eu tivesse prestado mais atenção quando me diziam que com o tempo tudo se ajeita, eu tivesse sofrido menos.
Há sempre os conselhos daqueles dizendo que quando formos mais velhos entenderemos tudo de um jeito diferente.
E não é que é a mais pura verdade?
É só quando se chega nessa fase da vida, a de obrigatoriamente ser adulto, que as coisas parecem ser mais claras.
Tudo tem um sabor novo. Tudo é experimentado de outra maneira, e a sensação é a que cada dia é tão melhor.
Estou adorando envelhecer. Sim, envelhecer! Já não sou mais um garoto, os primeiros cabelos brancos já deram o ar de sua graça, dormir é diferente, a sensação de que o corpo mudou é real. Mas e por dentro? O que mudou por dentro? Me pergunto isso todos os dias.
É só com o passar do tempo que a gente abandona aquela euforia adolescente, e começa a saborear  tudo de uma maneira mais consistente e profunda.
É quando se cresce que se percebe que amigos são necessários independentemente de onde se esteja, e para onde se vai.
É nessa fase da vida, que  damos conta, definitivamente, que depositar tanto de si no seu trabalho, não é uma obrigação, é exercício de talento.
Nesse momento da vida, podemos respirar fundo e sentir saudade, não dor, apenas saudade, pura e forte, porque com as experiências vividas, já sabemos que há pessoas que nos certamente nos deixarão, outras que irão para perto de Deus,  e outras que simplesmente seguirão caminhos diferentes, e isso é inevitável.
É aqui, nessa etapa da vida que os sorrisos de quem amamos acontecem sempre em câmera lenta, só para que possamos pensar, durante a fração de segundos em que eles acontecem, quanta sorte temos!
É quando  crescemos que entendemos os nossos pais, e percebemos o quanto nos parecemos com eles.
Nessa fase da vida os valores se solidificam, aquilo que acreditamos ganha intensidade, e a felicidade é tão mais possível.
Pode ser também, que aconteça tudo assim, pelo fato de estarmos mais equilibrados, sim, com a idade chega o equilíbrio. Conhecendo melhor a nós mesmos sabemos os nossos limites, e respeitar isso, é  um maneira de se ter plenitude.
Aprendemos, agora adultos, que há motivos pelos quais não adianta bater o pé, embirrar, tudo, leia-me, tudo acontece por uma razão de ser, e desacontece também.
É vivendo e aprendendo que damos conta que a felicidade da vida acontece em pequenos momentos, e esses pequenos momentos surgem, na maioria das vezes, quando não estamos prestando atenção. Por isso é tão importante não desperdiçarmos, nem olhares, nem abraços nem sorrisos.
É aqui, nessa fase da vida que percebemos que tolerância é um segredo, e que preconceito é uma atitude aceitável, mas não justifica discriminação alguma.
É daqui, do banco dos trinta em diante, que sentimos na carne a velocidade do mundo.
É agora, que o dom de eternizar gestos se faz cada vez mais importante.
É experimentando, que se ganha propriedade para falar sobre.
É observando, que o simples se torna indispensável que o milagre acontece, e acontecendo, nos melhora, nos engrandece, e nos faz entender que tudo o que passamos, as batalhas que ganhamos e as que não, foram momentos de um caminho, e que tudo isso fez de nós o melhor que queríamos ser, e que o que acontece hoje, nos melhora para o amanhã, e que no fim das contas a vida é isso, crescer, entender, e ser melhor, diferentemente melhor.