terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Distante...


Eu tive um tempo para me adaptar, eu sei.
Eu tive dias e mais dias de tentativas, em vão.
Eu sempre pensei que em mim morasse um super herói.
Eu sempre pensei que de certo modo eu venceria tudo, e conseguiria tudo.
Sempre estiveram em mim tantas certezas.
Mas hoje eu já não sei mais.
Me sinto desarmado.
Sinceramente, não era de se esperar que tanta coisa pudesse machucar ao mesmo tempo.
Não era para ser assim, cada dia mais distante, mais difícil.
O desejo inicial era como nos contos de fadas.
Era apenas o de ser feliz.
Mas ser feliz implica em ser infeliz as vezes.
Bem como a sombra só existe porque há uma luz.
Os dois lados da vida me fizeram, e me fazem estremecer, sentir medo.
Não era para ser assim.
Era para doer menos.
A cada instante, a instabilidade é maior.
A cada minuto, o “felizes para sempre” parece mais longe, mais inalcançável. 

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Exageros


Eu acredito em exageros.
Se não acreditasse não teria cometido todos os erros que cometi, e também nenhum dos acertos.
Eu acredito em momentos simples com essência grandiosa, acredito em pessoas comuns com almas admiráveis,  acredito em sonhos.
Mas mais do que tudo, eu acredito em exageros.
Penso que amor deve ser demonstrado. É em atos que ele é compreendido. Falar, qualquer um fala, e fala qualquer coisa.
É melhor que ele seja visto à ouvido.
E se for para ser visto que  seja de maneira intensa.
Porque os momentos que vamos nos lembrar na vida são aqueles que, de certo modo, fizeram o nosso coração parar e o ar faltar nem que seja por um milésimo de segundo.
Vamos nos lembrar de quem nos fez ter a sensação de que tudo bem se o mundo desmoronar, porque não estaríamos sozinhos.
É dos olhos brilhando, da mão trêmula e da voz embargada.
É do pedido sem jeito, do rosto corado, do mal jeito em se expressar.
É o amor manifestado que faz toda a diferença.
Porque mesmo que o mundo me diga ao contrário, e tente me provar muitas vezes, eu ainda prefiro ter esperança no amor.
E quando digo em amor, o digo conjugado.
Mas talvez você não pense assim. Pode parecer bobagem.
Tudo bem, essa é apenas a minha opinião.
A opinião de alguém que acredita em exageros.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Regra


Arrumei tudo.
Não ficou nada fora do lugar.
Era noite que eu esperei por anos.
Preparei cada detalhe.
Quando olhei pela janela vi a lua, sim ela estava lá, e de lá brilhava de maneira especial.
A cada dois minutos eu olhava para a lua.
Na realidade, a esperança era de ver você chegar.
Mas eu não podia assumir isso para mim mesmo, então, continuava a olhar a lua.
O relógio está adiantado, pensava.
Logo o telefone toca, ou ouço bater na porta.
A lua estava linda, mas passou a ficar tímida e mudar de posição.
Não era a lua que havia passado, era o tempo.
Você não veio.
E não veio não  porque não sou bom o bastante.
Não veio pelo simples fato de que eu quebrei uma regra, a de nunca me entregar.
Olhar para tudo arrumado, o dia nascendo e o adeus da lua só me fez lembrar o que eu já sabia há tempos.
As pessoas não estão prontas para lidar com o que há em nós e resolvemos, por amor, entregar a elas.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Sério...


Eu não me lembro. Serio!
Mesmo que me esforce eu não consigo me lembrar.
Não me lembro do gosto, do cheiro, do cenário, nem da situação.
Não me lembro do tempo, da hora, de nada.
Eu simplesmente bloqueio.
É assim que funciona para mim:
Não deu certo. Passado.
Me magoou, chateou. Fica para trás.
Eu não sei se é ruim ter essa facilidade. Mas sou assim.
Memória fraca? Pode ser.
Eu só  não me apego as lembranças doloridas, as situações que me causaram dor, nem  a gente que me feriu.
Não fico recordando, remoendo, sabe?
É melhor superar. E de superação eu entendo.
Superação não é para qualquer um.
Eu prefiro transformar as lágrimas em sorrisos.
As dores em esperanças.
As marcas em cicatrizes.
O lixo em ouro.
A saudade em poesia.
Eu opto por ser amor.
E amor, não precisa de memória.
Amor se é.
Se é e pronto.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Pensando bem...


O tempo passou e eu mudei de opinião.
Antes o que eu mais queria era crescer, aprender, conhecer.
Hoje não.
Sinto saudade de saber menos. Saudade de conhecer menos.
Quando a gente conhece demais passa então a saber demais, e quanto mais se sabe mais difícil fica ser feliz.
Eu não estou dizendo que gostaria de ser ignorante, não.
Eu sinto saudade de não saber coisas de gente grande.
De quando os compromissos eram mais de coração do que de razão.
Saudade de quando se podia confiar num adulto.
Saudade de quando gostar era uma simples questão de permitir sentir.
E quando se gostava a única coisa que importava mesmo era sentir bem, fazer bem.
Saudade de quando pouco dinheiro bastava.
De quando os doces eram gostosos de verdade.
De quando sentia vontade de comer pizza.
Saudade das manhãs de sábado.
Saudade dos meus pais na mesma casa.
Saudade de quando olhava no espelho e sabia quem estava vendo, e o máximo que pensava era:
Você vai crescer, conquistar coisas, conhecer lugares, pessoas, e vai ser muito feliz.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Desejos...


Eu queria colocar uma faixa em frente a sua casa
Eu queria correr sempre que sentisse esse aperto
Eu sonho em poder estar mais perto mesmo que seja para te ver de longe
Eu corro contra o tempo para que haja mais tempo

Eu vivi o que tinha para ser vivido
Eu fiz o que era pra ser feito
Eu não neguei
Eu não julguei

Na realidade eu nem ponderei
Não medi consequências
Eu fui lá e fiz
Típico de mim mesmo

Não sobraram arrependimentos
Não sobraram medos
Hoje o que há é saudade
E meu desejo de colocar uma faixa na frente da sua casa

Houveram dias em que eu quis fugir
Outros que eu quis chorar
Outros ainda parar de respirar
Hoje eu gostaria apenas de por uma faixa em frente a sua casa

Isso assustaria você
Provavelmente assustaria os seus vizinhos
Mas não há mal nos dizeres
Da faixa que eu colocaria em frente a sua casa

Seriam palavras simples,
Seria em cor discreta
Seria o que só você entenderia, seria amor
Na faixa que gostaria de colocar em frente a sua casa 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Do jeito errado

Com as recentes polêmicas que massivamente vimos em sites, redes sociais, e tantos outros veículos, paramos para pensar: havia um criminoso sexual num programa de TV? Uma enfermeira é tão má a ponto de matar um cachorrinho? É só porque ele é negro? Talvez essas sejam as conclusões óbvias. Mas o que eu penso diante disso tudo é o poder que as redes sociais estão tendo na hora de tornar um assunto divulgado, discutido e apoiado pela massa.
Há cerca de um mês, a enfermeira que maltratou seu cãozinho tornou-se o assunto mais comentado em redes como Facebook e Twitter. Em poucas horas milhões de pessoas, que viram o vídeo da agressão, repudiaram as atitudes da moça. O segundo passo foi xingá-la, ofendê-la, ameaçá-la. Logo depois ela teve documentos divulgados, fotos de seu carro com placa visível, endereço, diploma, tudo exposto na rede, ali para quem tivesse olhos. Como se não fosse o bastante, como nenhuma mágoa dura para sempre, a última fase foi a da anedota, várias piadas, fotos engraçadas envolvendo a situação, ou seja, as pessoas já podiam rir do que a poucos dias atrás lhes causava ódio. Típico não?
E nessa semana, acompanhamos mais um caso que mostrou o poder da opinião na internet. Dois participantes do reality mais famoso do país, beberam as pampas, foram para debaixo do edredom e fizeram sabe-se Deus o que por lá. Seria normal? Sim. Já aconteceu em outras edições? Sim. Só que o que foi diferente dessa vez foi o fato de que o telespectador, que paga R$1,00 para ter acesso 24 horas as câmeras do programa viu algo que julgou ser diferente. Estaria a moça em questão dormindo? Então o moço abusou sexualmente dela? Não sabemos ao certo. 
O que chama atenção foi que em poucas horas as redes sociais apontavam para um público revoltadissímo, que exigia a expulsão do rapaz. A pressão foi tanta que o Ministério Público tomou partido, a Polícia também, aí pronto, deu-se inicio a novela que invadiu os sites de noticia, os noticiários da TV, as conversar informais por todos os cantos.
Mais uma vez eu me surpreendo não com o fato em si, afinal os responsáveis pelo programa e a policia estão cuidando disso. O que me causa espanto e temor é o fato de como nós, munidos de um perfil numa rede social e acesso a internet ganhamos voz. E pensar que até pouco tempo atrás precisávamos de manifestações organizadas em ruas, cartazes, gritos de guerra, caras pintadas, e hoje em dia basta uma “hashtag”. 
É, temos voz. Podemos nos manifestar, dizer o que pensamos, expor nossas idéias. O preocupante é que a maioria dos “pseudo formadores do opinião” esquecem de um detalhe importante quando se lança uma história, a tal da responsabilidade. É maravilhoso que tenhamos voz, mas e as conseqüências disso tudo?
O que percebemos é que a maioria das informações são lançadas de maneira não pensada, sem ética, sem cuidado. Formadores de opinião tem que entender de ética, de gente, de relacionamentos, de lei, de bom senso.
Antes as redes sociais exerciam um papel mais leve, o de unir pessoas, trocar experiências, reencontrar amigos do tempo de escola, conhecer gente interessante, hoje em dia é palanque onde qualquer um, que saiba juntar poucas letras torna-se o líder de uma nação, o detentor de uma verdade absoluta, o preconceituoso, o juiz, e ainda sente-se fazendo algo útil.
Quando escrevo algo me preocupo com o meu leitor. Tento ser o mais objetivo possível e o mais claro para que a minha mensagem chegue. Não quero que ele concorde comigo, quero que ele pense por si, mas que use do que estiver ao alcance para agregar sua a sua opinião. Não quero alarde, quero discussão. Não quero expor, nem ridicularizar. Também não aprendi nada disso num livro, apenas fui bem educado desde a primeira vez que senti apaixonado pelas palavras.
Eu realmente gostaria que as informações lançadas nas redes sociais tivessem uma finalidade menos sensacionalista. 
Talvez seja demais pedir por isso, mas temos a faca e o queijo nas mãos. Temos uma arma incrível, só precisamos saber usá-la