quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Pensando bem...


O tempo passou e eu mudei de opinião.
Antes o que eu mais queria era crescer, aprender, conhecer.
Hoje não.
Sinto saudade de saber menos. Saudade de conhecer menos.
Quando a gente conhece demais passa então a saber demais, e quanto mais se sabe mais difícil fica ser feliz.
Eu não estou dizendo que gostaria de ser ignorante, não.
Eu sinto saudade de não saber coisas de gente grande.
De quando os compromissos eram mais de coração do que de razão.
Saudade de quando se podia confiar num adulto.
Saudade de quando gostar era uma simples questão de permitir sentir.
E quando se gostava a única coisa que importava mesmo era sentir bem, fazer bem.
Saudade de quando pouco dinheiro bastava.
De quando os doces eram gostosos de verdade.
De quando sentia vontade de comer pizza.
Saudade das manhãs de sábado.
Saudade dos meus pais na mesma casa.
Saudade de quando olhava no espelho e sabia quem estava vendo, e o máximo que pensava era:
Você vai crescer, conquistar coisas, conhecer lugares, pessoas, e vai ser muito feliz.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Desejos...


Eu queria colocar uma faixa em frente a sua casa
Eu queria correr sempre que sentisse esse aperto
Eu sonho em poder estar mais perto mesmo que seja para te ver de longe
Eu corro contra o tempo para que haja mais tempo

Eu vivi o que tinha para ser vivido
Eu fiz o que era pra ser feito
Eu não neguei
Eu não julguei

Na realidade eu nem ponderei
Não medi consequências
Eu fui lá e fiz
Típico de mim mesmo

Não sobraram arrependimentos
Não sobraram medos
Hoje o que há é saudade
E meu desejo de colocar uma faixa na frente da sua casa

Houveram dias em que eu quis fugir
Outros que eu quis chorar
Outros ainda parar de respirar
Hoje eu gostaria apenas de por uma faixa em frente a sua casa

Isso assustaria você
Provavelmente assustaria os seus vizinhos
Mas não há mal nos dizeres
Da faixa que eu colocaria em frente a sua casa

Seriam palavras simples,
Seria em cor discreta
Seria o que só você entenderia, seria amor
Na faixa que gostaria de colocar em frente a sua casa 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Do jeito errado

Com as recentes polêmicas que massivamente vimos em sites, redes sociais, e tantos outros veículos, paramos para pensar: havia um criminoso sexual num programa de TV? Uma enfermeira é tão má a ponto de matar um cachorrinho? É só porque ele é negro? Talvez essas sejam as conclusões óbvias. Mas o que eu penso diante disso tudo é o poder que as redes sociais estão tendo na hora de tornar um assunto divulgado, discutido e apoiado pela massa.
Há cerca de um mês, a enfermeira que maltratou seu cãozinho tornou-se o assunto mais comentado em redes como Facebook e Twitter. Em poucas horas milhões de pessoas, que viram o vídeo da agressão, repudiaram as atitudes da moça. O segundo passo foi xingá-la, ofendê-la, ameaçá-la. Logo depois ela teve documentos divulgados, fotos de seu carro com placa visível, endereço, diploma, tudo exposto na rede, ali para quem tivesse olhos. Como se não fosse o bastante, como nenhuma mágoa dura para sempre, a última fase foi a da anedota, várias piadas, fotos engraçadas envolvendo a situação, ou seja, as pessoas já podiam rir do que a poucos dias atrás lhes causava ódio. Típico não?
E nessa semana, acompanhamos mais um caso que mostrou o poder da opinião na internet. Dois participantes do reality mais famoso do país, beberam as pampas, foram para debaixo do edredom e fizeram sabe-se Deus o que por lá. Seria normal? Sim. Já aconteceu em outras edições? Sim. Só que o que foi diferente dessa vez foi o fato de que o telespectador, que paga R$1,00 para ter acesso 24 horas as câmeras do programa viu algo que julgou ser diferente. Estaria a moça em questão dormindo? Então o moço abusou sexualmente dela? Não sabemos ao certo. 
O que chama atenção foi que em poucas horas as redes sociais apontavam para um público revoltadissímo, que exigia a expulsão do rapaz. A pressão foi tanta que o Ministério Público tomou partido, a Polícia também, aí pronto, deu-se inicio a novela que invadiu os sites de noticia, os noticiários da TV, as conversar informais por todos os cantos.
Mais uma vez eu me surpreendo não com o fato em si, afinal os responsáveis pelo programa e a policia estão cuidando disso. O que me causa espanto e temor é o fato de como nós, munidos de um perfil numa rede social e acesso a internet ganhamos voz. E pensar que até pouco tempo atrás precisávamos de manifestações organizadas em ruas, cartazes, gritos de guerra, caras pintadas, e hoje em dia basta uma “hashtag”. 
É, temos voz. Podemos nos manifestar, dizer o que pensamos, expor nossas idéias. O preocupante é que a maioria dos “pseudo formadores do opinião” esquecem de um detalhe importante quando se lança uma história, a tal da responsabilidade. É maravilhoso que tenhamos voz, mas e as conseqüências disso tudo?
O que percebemos é que a maioria das informações são lançadas de maneira não pensada, sem ética, sem cuidado. Formadores de opinião tem que entender de ética, de gente, de relacionamentos, de lei, de bom senso.
Antes as redes sociais exerciam um papel mais leve, o de unir pessoas, trocar experiências, reencontrar amigos do tempo de escola, conhecer gente interessante, hoje em dia é palanque onde qualquer um, que saiba juntar poucas letras torna-se o líder de uma nação, o detentor de uma verdade absoluta, o preconceituoso, o juiz, e ainda sente-se fazendo algo útil.
Quando escrevo algo me preocupo com o meu leitor. Tento ser o mais objetivo possível e o mais claro para que a minha mensagem chegue. Não quero que ele concorde comigo, quero que ele pense por si, mas que use do que estiver ao alcance para agregar sua a sua opinião. Não quero alarde, quero discussão. Não quero expor, nem ridicularizar. Também não aprendi nada disso num livro, apenas fui bem educado desde a primeira vez que senti apaixonado pelas palavras.
Eu realmente gostaria que as informações lançadas nas redes sociais tivessem uma finalidade menos sensacionalista. 
Talvez seja demais pedir por isso, mas temos a faca e o queijo nas mãos. Temos uma arma incrível, só precisamos saber usá-la

domingo, 18 de dezembro de 2011

É o fim... de Ano!


Ninguém é mais amado nessa época do ano do que o Papai Noel, ele com suas barbas brancas nos faz respirar profundo viajar para um lugar saudoso da nossa infância. Esse suspiro só é interrompido pelo: “Então é Natal” da Simone, que toca em todos os lugares. Porque se Papai Noel é amado no fim do ano, a Simone, ah a Simone! “Então é Natal” é o fim!
Todo mundo já deve ter passado por isso, se não passou, vai passar, aquele tio que começa a beber na Ceia de Natal, e no almoço no dia 25, pra lá de Bagdá, pega o garfo bate na taça, pede a palavra, diz que está muito feliz de estar ali,que te ama,  vai até você, no caminho pisa no seu gato, te abraça e chora. A Simone deve rir muito disso tudo.
As coisas nunca mudam, fim de ano e você recebe pelo menos vinte convites para participar de Amigo Secreto, aceita brincar em uns cinco, e se juntar o valor dos cinco presentes que você ganhou, não dá o que você gastou no seu primeiro. Mas reclamar para que se essa é a finalidade do amigo secreto, causar irritação. E se a brincadeira for na empresa então, você que é uma pessoa básica e discreta, acaba sendo o amigo secreto da Ugly Betty do escritório, aquela que usa batom rosa, terninho azul, meias pretas e tem sempre uma pulseira da cor do batom. A linda na hora de revelar seu nome o descreve como um grande amigo, te entrega um presente cafona, diz que é sua cara, e ainda deixa um beijo rosa na sua bochecha, seria isso o fim?
Ah as festas! Como é bom enfrentar as filas dos supermercados, todos querem peru, todos querem tender, todos querem uvas, todos querem a mesma coisa que você! Não adianta pensar: vou sair dessa fila enorme do açougue e vou pra frutaria, lá também tem fila, e a que vai andar mais devagar, é justamente a que você estiver. Aí você encontra no supermercado aquela prima que não vê há anos, ela olha o seu carrinho e diz: Nossa você empenhado na Ceia e eu nem vou preparar nada. Pronto! Você acaba de ganhar mais dois adultos e três adoráveis crianças para a sua Ceia. O fim!
Casa cheia. Presentes sob a árvore. Primos, pais, cunhados, amigos próximos, e aquela vizinha, que você tenta, mas não lembra ter convidado, mas ela está ali e obviamente não tem nenhum presente para ela embaixo da árvore, mas você tem aquela pedra linda, que trás boas energias que comprou para usar depois das festas, porque você vai precisar, e pensa: Por quê não? Corre pro quarto, pega a pedra, o papel de presente, só não encontra a fita adesiva. Até porque ninguém nunca encontra a fita adesiva nem quando há tempo, e você ali, jurando que vai encontrá-la cinco minutos antes da abertura dos presentes. Ao que se lembra que pode usar uma fita isolante dobradinha, é preta mas nem vai aparecer. O embrulho ficou o fim.
Reveillon, vamos a beira mar! Claro! Afinal quem não gosta de multidão e champagne quente. Mas você está lá, firme, pronto pro ritual de toda a virada, pular as sete ondinhas. Todo ano. E todo ano você não se lembra que sete ondinhas se pula descalço, e vai. Na segunda onda o chinelo já era. Mais um para a coleção de Iemanjá. Perder chinelo é o fim.
Não importa, por mais que as coisas sejam muito bem planejadas, gafes e festas de fim de ano são amigas bem próximas, e elas inevitavelmente vão acontecer. É isso, fim de ano é o fim, mas é também ai que podemos olhar para trás e perceber que vencemos mais uma etapa, e que coisas engraçadas acontecem, por isso é tudo tão saboroso.
Aproveite seu fim de ano e todas as ironias que ele lhe trouxer, sem dúvida serão ótimas histórias a serem contadas aos seus filhos.
Um feliz Fim de Ano!

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

O apego não quer ir embora


Eu não tava pronto pra isso.
Eu não sei como lidar...
Eu não aprendi a dormir sozinho
Eu não aprendi a ter a geladeira só pra mim
Falta sua escova de dentes no banheiro
O coração bate apertado tarde da noite, mas agora não passa, porque você não vai voltar
Me mostra como fazer
Me mostra um jeito de ficar sem você
Eu não sei como tirar você do esquema: primeira pessoa que penso quando acordo
Nem ao menos do: última pessoa que lembro antes de dormir
Já que foi embora, saia também dos meus sonhos
Não era pra ter sido assim
Impossível que você não se lembre do amor, e da devoção
Impossível que ainda não veja meu sorriso quando você conta suas piadas sem graça
Nem que não sinta saudade de acordar durante a noite e ver que estou na poltrona, sem sono, olhando pra você e entendendo o porque de depois de teres surgido eu ter me tornado uma pessoa melhor.
Impossível não se lembrar
Impossível eu me esquecer
Impossível nós dois...

domingo, 4 de dezembro de 2011

Prefiro assim...


Eu sempre preferi ser à ter.
Sempre achei melhor ser reconhecido pelo que se pode apresentar de conteúdo, de não palpável.
Eu até entendo que as pessoas não estão realmente prontas para o choque do ser.
É tão mais comum amar o que é agradável e poderoso. Fomos educados nesse sentido, de que a quantidade de títulos, ou influência material dita o quanto somos interessantes.
É tão mais fácil ser amado assim.
Mas como disse, sou homem que nada contra a corrente, sou de pensamentos livres que quase sempre vão noutro sentido.
Eu prefiro os que são.
Reconhecer gente assim tornou-se tarefa difícil, mas eu prefiro o que me faz rir, o que me impressiona por quanta experiência já teve, o que me faz perceber as coisas simples.
Eu prefiro quem é. O que quem é tem não é assim tão determinante.
Não sou pouco ambicioso, sou real.
Não sou de pensamentos simples, sou prático.
Não que eu não tenha muita coisa, pelo contrário, apenas penso que o que sou é muito mais interessante, é disso que as pessoas se lembrarão quando eu não estiver mais aqui. Nesse dia as minhas coisas já não serão mais minhas, o que restará de mim estará ligado a quantas vezes fiz seus corações bater mais forte. 

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Por um mundo mais leve!


Li num perfil numa rede social, a pessoa dizendo que prefere ser grosseira à ser simpática. E ri.
A mesma pessoa dizia que simpatia era uma maneira falsa de agir com os outros, e a grosseria é ser sincero, ser natural. Ri novamente.
Quando digo que ri, não me refiro que achei engraçado, não! Foi aquele riso tenso, sabe? Daqueles que não evitamos numa situação de desconforto.
Como pode, num mundo onde os jovens afirmam crescer mais rápido, onde cada vez mais se tem acesso a informação, as pessoas confundirem grosseria com autenticidade?
O fato de ser cordial, tolerante, simpático com o próximo não faz de você um falso. Faz de você uma pessoa inteligente e bem educada.
Autenticidade, penso eu, é criar e viver dentro do que se é inclinado, é conhecer sua personalidade a ponto de viver com atitudes coerentes ao o que se sente. Ser rude, grosseiro, intolerante, mal humorado, caracteriza um tolo, e não alguém digno de admiração.
O tal dono do perfil citava Dr. House, personagem áspero de uma série americana super famosa. Ele realmente é fantástico, mas para os que são dotados de uma interpretação um pouco mais profunda, Gregory House é um frustrado, viciado, e infeliz. Não estou botando em cheque a qualidade do programa, por favor. Estou questionando de uma maneira mais profunda o fato de pessoas usarem um fato isolado ou uma frase solta para justificar a grosseria.
O mundo nos cobra cada vez mais, as pressões nos cansam, eu acredito que devamos nos apegar a relações mais leves, mais saudáveis, mais felizes.
Aos chatos de plantão, afundem-se na sua “autenticidade”.